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Arroba do boi a R$ 500: 3 fatores que sustentam a alta

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A arroba do boi pode alcançar R$ 500 no longo prazo? Maurício Velloso, presidente da Assocon, analisa a menor oferta e os novos rumos do setor. Veja.

Para Quem Tem Pressa

A cotação da arroba do boi pode se aproximar de R$ 500 no longo prazo, impulsionada por um choque global entre oferta e demanda. Segundo Maurício Velloso, presidente da Assocon, a questão central não é “se” esse patamar será atingido, mas “quando”. Com a redução consecutiva dos rebanhos nos últimos seis anos, aumento dos abates e menor produção de bezerros, o mercado caminha para um déficit de animais. O movimento deve ser liderado pela forte valorização da reposição, com o bezerro podendo saltar dos atuais R$ 3.200 para até R$ 6.000 por cabeça.

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Arroba do boi pode buscar R$ 500? Assocon revela quando

A discussão sobre a possibilidade de a arroba do boi atingir o patamar histórico de R$ 500 voltou a agitar as rodas de conversa no agronegócio. Contudo, longe de ser apenas um palpite otimista de balcão ou um exercício de futurologia, a tese ganha fundamentação técnica quando analisada sob a ótica dos ciclos pecuários de longo prazo.

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Para Maurício Velloso, pecuarista e presidente da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), os fundamentos macroeconômicos de oferta e demanda desenham uma tendência inequívoca de alta para os próximos anos.

“A questão não é se vai chegar, é quando vai chegar”, cravou Velloso ao avaliar o comportamento projetado para o preço do animal terminado.

A declaração não promete uma alta repentina para amanhecer valendo quinhentos reais na semana que vem — convenhamos, nem o produtor mais entusiasmado esperaria um milagre desses da noite para o dia. Trata-se, na verdade, de uma leitura estruturada do ciclo pecuário global.


Menos gado no pasto e demanda mundial aquecida

O motor fundamental para essa projeção reside na contração global do rebanho bovino. Enquanto a busca por proteína vermelha segue em ritmo acelerado nas mesas pelo mundo, a base produtiva das principais nações pecuárias vem encolhendo.

Segundo o presidente da Assocon, o mercado enfrenta uma combinação de três fatores simultâneos:

  • Redução contínua do rebanho: Menos matrizes e menor estoque bovino disponível globalmente.
  • Aumento do consumo e dos abates: Demanda compradora aquecida ano após ano.
  • Queda na produção de bezerros: Gargalo na base da cadeia que comprime a oferta futura.

“Em todo lugar do planeta, a gente está tendo menos gado. Nos últimos seis anos, consecutivamente, há um aumento do consumo, há um aumento do abate e há uma diminuição na produção de bezerros”, destacou o dirigente.

Nesse cenário de pressão sobre os estoques, o Brasil surge em posição de destaque. O país figura entre os raros grandes produtores globais com capacidade real de preencher a lacuna entre produção e consumo. Mais do que isso: o setor nacional possui margem para elevar substancialmente sua eficiência produtiva sem a necessidade imperiosa de expandir a área de pastagens ou aumentar proporcionalmente o rebanho absoluto.


O bezerro como farol: Reposição a R$ 6 mil antecipa o boi

Um dos pontos mais expressivos da análise de Velloso está no mercado de reposição. Respaldado em estudos de Rogério Goulart, da Carta Pecuária, sobre o comportamento histórico das cotações do bezerro, o presidente da Assocon aponta que o movimento de alta no gado jovem antecede a valorização da arroba do boi gordo.

Atualmente tomando como referência o valor aproximado de R$ 3.200 por bezerro, as projeções indicam que o animal de reposição pode romper a barreira dos R$ 6.000 por cabeça ao longo do ciclo.

Evolução Projetada do Bezerro (Cria)
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[Referência Atual] ~ R$ 3.200 / cabeça
[Patamar Superado] > R$ 4.000 / cabeça
[Teto Projetado] ~ R$ 5.900 a R$ 6.400 / cabeça (Média R$ 6.000)
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Although no one can pin down down to the cent whether the peak will be R$ 5,900, R$ 6,100, or R$ 6,400, the structural level will shift significantly.

“Seguramente, o patamar do bezerro não será mais o R$ 3.000, R$ 4.000. O teto do bezerro deverá ser ao redor dos R$ 6.000”, projetou o líder setorial.


A matemática da arroba do boi: O rabo abana o cão?

A tese de uma arroba do boi a R$ 500 ganha lógica quando se compara o valor da arroba do bezerro com a do boi gordo. Historicamente, a reposição atua como um indicador antecedente do animal terminado. Em diversas negociações passadas e presentes, a arroba equivalente do bezerro já atingiu e ultrapassou a casa dos R$ 500, enquanto o boi gordo continuava operando em patamares inferiores.

“A arroba do boi sempre, historicamente, seguiu a arroba do bezerro”, ponderou Velloso.

Portanto, o movimento de valorização observado na ponta da cria funciona como um ‘spoiler’ do que acontecerá no confinamento e na terminação à frente. Obviamente, não há um calendário fixo na parede indicando o dia em que a arroba do boi pisará nos R$ 500, e o próprio dirigente faz questão de não cravar datas fictícias para não alimentar especulações imediatistas.


O impacto das contas dentro da porteira

Se a projeção de valorização se concretizar, o impacto financeiro reconfigurará todo o planejamento dentro da fazenda:

  1. Invernistas, Recriadores e Confinadores: Enfrontarão custos de aquisição substancialmente maiores na compra de reposição, exigindo maior gestão de caixa e eficiência alimentar.
  2. Produtores de Cria: Serão diretamente beneficiados pela melhora expressiva na receita da venda de bezerros e bezerras.

Por essa razão, a análise transcende a mera tentativa de adivinhar o topo do mercado. Para quem atua na compra de reposição ou planeja o abate de lotes para os próximos meses, antecipar a transição deste ciclo pecuário é tão decisivo quanto acompanhar as cotações diárias da arroba do boi.

Como conclui Maurício Velloso, os sinais e fundamentos já estão postos na mesa. A grande questão que resta ao mercado não é se o gado vai valorizar, mas sim quanto tempo o ciclo levará para transformar a menor oferta global de animais em preços mais elevados no bolso do pecuarista brasileiro.

Imagem principal: Depositphotos.


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