Crise no Agro: Prejuízo bilionário ameaça produtores

A crise no agro ganha contornos históricos: Banco do Brasil corta crédito, judicializa dívidas e expõe desafios que podem redesenhar o setor.

Para Quem Tem Pressa

A crise no agro escancarou um impasse histórico: produtores endividados, Banco do Brasil em retração e um setor estratégico sob risco de paralisia. Entre inadimplência recorde, cortes de crédito e disputas judiciais, o futuro do campo pode impactar não só a safra 2025/26, mas toda a economia brasileira.


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Crise no Agro: Corte de crédito expõe rombo bilionário

O tamanho da crise

O Banco do Brasil anunciou, em meio a uma queda de 60% no lucro trimestral, medidas drásticas para conter a onda de inadimplência no agronegócio. A instituição não só cortou crédito, como também acionou a Justiça contra advogados que estariam incentivando produtores a recorrerem à recuperação judicial.

Segundo a Serasa Experian, 389 pedidos de recuperação judicial no setor foram registrados apenas no primeiro trimestre de 2025 — alta de 45% em relação ao ano anterior. O dado mais alarmante? Cerca de 20 mil clientes rurais estão inadimplentes há mais de 90 dias, sendo que 74% nunca haviam atrasado antes de 2023.


Choques climáticos: A faísca da crise

A sucessão de desastres climáticos pesou na conta. Uma seca histórica em 2023 seguida por enchentes devastadoras em 2024 afetaram diretamente soja, milho e pecuária, pilares do Centro-Oeste e Sul.

Com receitas despencando, muitos produtores optaram por judicializar suas dívidas sem antes buscar negociações amigáveis. O movimento irritou a cúpula do Banco do Brasil, que passou a acusar advogados de estimularem um “atalho jurídico” em vez da tradicional renegociação de balcão.


Banco do Brasil endurece o jogo

Na coletiva de resultados, a presidente do BB, Tarciana Medeiros, foi enfática: “Nunca houve inadimplência do agro nessa proporção em toda a história da instituição.”

A imagem do “banco que não protesta” ficou para trás. Hoje, o BB judicializa, executa garantias e já acumula provisões bilionárias para perdas. Só no 2º trimestre, a conta chegou a R$ 15,9 bilhões em créditos de liquidação duvidosa.

Ainda assim, o banco insiste que 2025 será um “ano de ajuste”, projetando lucro entre R$ 21 e R$ 25 bilhões. Ajuste com pitadas de ironia: cortar crédito do setor que alimenta o país é como apagar incêndio com gasolina.


O outro lado da moeda

Nem todo mundo compra a narrativa da crise no agro. Especialistas e vozes do próprio setor lembram que a inadimplência no BB ainda é menor do que em carteiras de pessoa física e jurídica.

Relatórios da FEBRABAN reforçam: em abril/2025, a inadimplência rural regulada estava em 1,46%, índice semelhante ao dos EUA (1,18%). Para o Itaú e o Bradesco, a situação segue “equilibrada”, como afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú.

Em outras palavras: estaria o Banco do Brasil dramatizando para justificar seus próprios tropeços financeiros?


O que está em jogo

O conflito escancara uma disputa de narrativas. De um lado, o Banco do Brasil pinta um cenário de colapso para justificar perdas. Do outro, o setor e bancos privados apontam resiliência, dizendo que o agro continua sendo um dos motores mais sólidos da economia brasileira.

O risco imediato é claro: com menos crédito e mais judicialização, a safra 2025/26 pode enfrentar gargalos produtivos. E, em uma engrenagem tão sensível, basta um dente falhar para toda a máquina econômica patinar.


Conclusão: Crise real ou crise de narrativa?

A crise no agro pode ser tanto um reflexo de choques climáticos e má gestão de riscos, quanto uma cortina de fumaça criada para justificar perdas internas do Banco do Brasil.

Enquanto isso, produtores seguem sem crédito, advogados acumulam processos, e o campo assiste a uma disputa que pode definir o rumo de toda a economia rural.

O futuro do agro brasileiro está em cheque: será que estamos diante de um rombo estrutural, ou apenas de uma narrativa conveniente?


Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

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