Você sabe o que está faltando para o setor da soja?
Sustentabilidade e classificação estão entre os principais desafios do setor da soja.
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Temas estão sendo discutidos no seminário da Embrapa “Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial da Soja”.
Cerca de 200 representantes da cadeia produtiva da soja – pesquisadores, agentes governamentais, representantes das indústrias e de produtores rurais – estão reunidos no Seminário ‘Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial da Soja’, realizado nos dias 8 e 9 de novembro, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).
Um dos temas que chama atenção é o debate sobre a revisão do padrão oficial de classificação da soja. O coordenador geral de qualidade vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Hugo Caruso, diz que a ideia é propor parâmetros que possam conciliar as expectativas dos produtores, compradores, processadores e exportadores de soja uma vez que a proposta apresentada em seminário realizado em setembro, em Brasília (DF), não foi aceita. Após as discussões, a proposta irá à consulta pública. “Como nas discussões anteriores não houve consenso entre os representantes da cadeia, estamos apresentando uma nova proposta conciliatória. Queremos mediar essa discussão, mas quem tem que decidir o que é melhor para a cadeia produtiva é o próprio setor”, diz.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, Marcelo Álvares de Oliveira, o objetivo do Seminário é discutir esse e outros temas que possam antecipar soluções para manter a liderança brasileira no setor. “Estamos debatendo diferentes aspectos da competitividade da cadeia da soja sob o ponto de vista técnico e de qualidade da oleaginosa”, ressalta. Outras temáticas abordadas no primeiro dia de evento destacaram os impactos da biotecnologia na produção brasileira e mundial, a importância da manutenção de elevados teores de proteína na soja e os biocombustíveis obtidos a partir de óleos vegetais, como o biodiesel.
O presidente do Comitê de Contratos Externos da Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais (ANEC), Marcos Amorim, comenta que a realização do seminário é fruto de uma rede de parcerias que entende que o desenvolvimento do agronegócio brasileiro foi sempre pautado na adoção de tecnologias. “Tanto a indústria que processa o grão, quanto quem exporta, considera que a busca pela melhoria da qualidade da soja nacional deve ser uma constante e que precisamos investir em tecnologia para reduzir os desafios e ampliar as oportunidades”.
Para André Nassar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), entre os desafios para a cadeia produtiva estão as questões relacionadas à sustentabilidade e à eliminação do desmatamento. “Os compradores de soja, liderados pela Europa, querem conhecer a origem do que estão comprando. Dessa forma, a nossa atividade que era de comprar, processar e comercializar o grão, passa a ser também de rastrear a origem”, afirma Nassar. Outro aspecto apontado são as questões referentes à logística, especialmente com relação aos grãos que são exportados pelos portos do Pará. “Transportar soja pela BR 163, pelas limitações que existem, é um desafio enorme e entendo que a logística nessa região precisa ser mais eficiente”. Além disso, Nassar aponta ser necessário recuperar os patamares propostos na mistura do biodiesel no diesel. “Hoje a mistura é de 10% de biodiesel, mas deveríamos estar em 14%, o que causou prejuízos ao setor”.
Agenda ESG – Na conferência de abertura, a diretora de finanças sustentáveis da Proactiva, Dulce Benke, apresentou as perspectivas e os impactos na cadeia da soja da agenda Environmental, Social and Governance (ESG) – que corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização. Benke explicou que os critérios ESG estão relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), iniciativa mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) e outras entidades internacionais. “A adoção de práticas ESG entrou nas agendas corporativas por determinação do setor financeiro e de demandas de diferentes mercados. A soja brasileira faz parte de uma cadeia global e precisa estar atenta às regulamentações referentes às boas práticas ambientais, de direitos humanos e de governança para atender às demandas de diferentes mercados e dos possíveis financiadores e investidores que se quer alcançar nessa cadeia”, defende.
Promovido pela Embrapa Soja, o seminário tem o apoio da ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, ACEBRA (Associação das Empresas Cerealistas do Brasil), ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), ASCB (Associação das Supervisoras e Controladoras do Brasil), OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal).
Fonte: Datagro. Imagem principal: Depositphotos.


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