A venda de carne bovina reaquesce no varejo com a virada do mês e salários. Confira o panorama completo de preços, atacado e exportações para os EUA.
Para Quem Tem Pressa
A venda de carne bovina no varejo apresentou uma reação positiva com a chegada da virada do mês e a liberação das bonificações de pagamento. Esse movimento injetou ânimo no atacado, que viu um incremento nos pedidos de reposição de estoque por parte dos comerciantes. Além da expectativa de recebimento dos salários, o feriado do dia 7 de setembro deve atuar como combustível adicional para o consumo. Paralelamente, em agosto, a proteína bovina ganhou competitividade frente às carnes de frango e suína, enquanto a escassez de rebanho nos Estados Unidos impulsionou as exportações brasileiras para patamares recordes no período.
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Venda de carne bovina: Varejo e atacado reagem com virada do mês e feriado
A virada do mês trouxe o alívio esperado para o setor de proteína animal. A entrada das bonificações no orçamento das famílias impulsionou a venda de carne bovina no varejo, refletindo imediatamente no atacado. Os comerciantes correram para recompor seus estoques com maior intensidade em comparação à semana anterior. A expectativa para os próximos dias permanece otimista, impulsionada pelo pagamento dos salários e pela demanda extra gerada pelo feriado de 7 de setembro.
Comportamento do mercado atacadista: Carne com osso e sem osso
No atacado de carne com osso, as cotações das carcaças casadas registraram leve recuo na maioria das categorias, com exceção do boi capão. A carcaça casada do boi capão teve valorização de 1,1%, negociada a R$ 23,40/kg, enquanto a do boi inteiro recuou 0,9%, cotada em R$ 22,50/kg. Entre as fêmeas, a queda média foi de 0,7%, deixando a vaca apregoada a R$ 22,00/kg e a novilha a R$ 22,30/kg.
Já no mercado de carne sem osso no atacado, a média geral apresentou ajuste positivo de 0,4%. Nos cortes do traseiro, o avanço foi de 0,5%, com destaque para o filé mignon sem cordão, que saltou 3,7% (além do filé mignon com cordão, cotado a R$ 84,79/kg com alta de 3,7%). No traseiro, registraram-se 6 cortes em alta, 6 em queda e 4 estáveis. Nos cortes do dianteiro, houve retração de 0,2% na média, contabilizando 5 cortes em queda e 1 em alta — o cupim liderou os ganhos, subindo 2,8% (cotado a R$ 36,41/kg).
Para detalhar o mercado atacadista paulista de cortes sem osso, observe a estrutura de preços registrada:
| Atacado – Cortes sem Osso | Preço (R$/kg) | Variação (7 dias) | Variação (30 dias) | Variação (Ano) |
| Acém | R$ 27,71 | -1,2% | 3,0% | 13,3% |
| Alcatra (miolo) | R$ 39,01 | 0,4% | 7,2% | 12,5% |
| Alcatra c/ maminha | R$ 39,58 | 0,4% | 14,4% | 19,9% |
| Alcatra completa | R$ 43,43 | 0,0% | 5,2% | 7,8% |
| Capa de filé | R$ 29,26 | -1,1% | 8,7% | 13,6% |
| Contrafilé | R$ 43,14 | 0,0% | 10,8% | 15,0% |
| Coxão duro | R$ 31,84 | -1,0% | 4,0% | 7,2% |
| Coxão mole | R$ 35,23 | 0,0% | 8,7% | 12,0% |
| Cupim | R$ 36,41 | 2,8% | 4,4% | 11,8% |
| Filé mignon s/ cordão | R$ 74,21 | 2,3% | 18,5% | 37,3% |
| Filé mignon c/ cordão | R$ 84,79 | 3,7% | 20,6% | 43,6% |
| Fraldinha | R$ 36,59 | 0,2% | 12,8% | 20,8% |
| Lagarto | R$ 31,59 | -1,0% | 3,4% | 11,8% |
| Lombinho | R$ 28,75 | -1,4% | 14,1% | 36,0% |
| Maminha | R$ 41,51 | -0,4% | 14,0% | 24,1% |
| Músculo | R$ 28,28 | -1,2% | 8,4% | 11,4% |
| Paleta com músculo | R$ 27,91 | -1,2% | 4,1% | 13,5% |
| Paleta sem músculo | R$ 28,54 | -0,7% | 3,4% | 15,4% |
| Patinho | R$ 35,76 | -0,5% | 8,1% | 12,1% |
| Peito | R$ 27,71 | -0,6% | 3,6% | 14,1% |
| Picanha A | R$ 70,13 | 0,0% | 8,1% | 22,9% |
| Picanha B | R$ 54,54 | 0,6% | 10,5% | 20,6% |
Desempenho do varejo por estado
O comportamento de preços na venda de carne bovina ao consumidor final variou conforme a região do país:
- São Paulo: A média subiu 0,2% (8 cortes em alta, 7 em queda e 5 estáveis), tendo a picanha B como principal alta (+3,0%).
- Minas Gerais: Aumento de 1,1% na média (14 cortes em alta, 4 em queda e 2 estáveis), impulsionado pelo lagarto (+4,1%).
- Rio de Janeiro: Alta de 0,8% na média (9 cortes em alta, 6 em queda e 5 estáveis), com expressiva valorização da costela (+8,6%).
- Goiás: Avanço de 0,2% na média (8 cortes em alta, 9 em queda e 3 estáveis), destacando-se a costela (+3,8%).
- Rio Grande do Sul: Subida de 0,2% na média (10 cortes em alta, 7 em queda e 3 estáveis), com destaque para o lagarto (+3,4%).
- Paraná: Apresentou a maior retração, recuando 1,9% na média (16 cortes em queda, 2 em alta e 2 estáveis), sendo a maior baixa registrada na costela (-5,0%).
- Mato Grosso: Queda de 0,1% na média (9 cortes em queda, 9 em alta e 2 estáveis), com maior variação no músculo (+2,6%).
- Mato Grosso do Sul: Média caiu 0,4% (7 cortes em queda, 7 em alta e 6 estáveis), com destaque positivo para o lagarto (+3,4%).
Confira os valores praticados no varejo semanal das principais praças (em R$/kg):
| Varejo – Cortes | SP | PR | MG | RJ | MT | GO | MS | RS |
| Acém | 46,27 | 38,63 | 46,03 | 42,94 | 42,71 | 38,74 | 40,14 | 51,43 |
| Alcatra (miolo) | 62,63 | 62,63 | 72,47 | 63,66 | 55,74 | 70,34 | 73,30 | 81,93 |
| Alcatra c/ maminha | 54,57 | 53,22 | 62,42 | 56,24 | 57,49 | 56,94 | 57,40 | 58,40 |
| Alcatra completa | 64,26 | 60,04 | 62,55 | 60,76 | 68,46 | 59,50 | 59,31 | 70,67 |
| Contrafilé | 63,99 | 62,29 | 67,40 | 61,34 | 64,84 | 59,58 | 57,00 | 76,36 |
| Costela* | 33,11 | 33,47 | 37,07 | 38,03 | 30,38 | 32,26 | 27,06 | 38,93 |
| Coxão duro | 51,86 | 48,50 | 55,07 | 50,27 | 49,45 | 51,26 | 46,46 | 49,30 |
| Coxão mole | 54,39 | 51,56 | 56,92 | 53,06 | 53,65 | 49,05 | 52,68 | 56,90 |
| Cupim | 46,77 | 42,93 | 52,41 | 48,61 | 52,85 | 62,04 | 51,55 | 44,45 |
| Filé mignon s/ cordão | 108,15 | 92,88 | 112,92 | 109,39 | 99,58 | 106,19 | 101,05 | 112,08 |
| Fraldinha | 53,58 | 53,53 | 59,53 | 52,93 | 56,39 | 52,53 | 59,03 | 57,06 |
| Lagarto | 50,53 | 46,23 | 54,67 | 51,11 | 47,81 | 50,35 | 49,47 | 54,11 |
| Lombinho | 49,23 | 35,17 | 50,28 | 47,15 | 46,24 | 45,55 | 42,56 | 59,90 |
| Maminha | 59,97 | 60,09 | 62,78 | 60,28 | 60,79 | 67,94 | 65,54 | 65,78 |
| Músculo | 41,54 | 39,92 | 45,88 | 46,50 | 39,14 | 36,53 | 37,72 | 36,23 |
| Paleta | 49,48 | 41,97 | 45,81 | 42,00 | 39,14 | 38,32 | 40,67 | 43,62 |
| Patinho | 56,52 | 50,07 | 57,80 | 52,69 | 53,96 | 50,60 | 51,13 | 58,72 |
| Peito | 46,79 | 36,87 | 47,72 | 43,03 | 42,71 | 44,02 | 42,61 | 43,93 |
| Picanha A | 107,64 | 110,91 | 111,56 | 113,65 | 108,97 | 124,95 | 116,98 | 112,27 |
| Picanha B | 75,26 | 80,65 | 80,52 | 85,96 | 80,10 | 89,82 | 87,47 | 85,99 |
Competitividade entre as proteínas em agosto
Durante o mês de agosto, a venda de carne bovina obteve um ganho de competitividade em relação às proteínas concorrentes:
- Dianteiro avulso: Acumulou queda de 2,8% (-R$ 0,55/kg), encerrando o mês em R$ 18,85/kg.
- Carne Suína (Suíno especial): Recuou 2,6% (-R$ 0,20/kg), negociado a R$ 7,50/kg. A competitividade do boi frente ao suíno melhorou 0,2% — no início do mês, 1kg de carne bovina comprava 2,52kg de suíno; no fim, comprava 2,51kg (0,01kg a menos).
- Carne de Frango (Frango médio): Subiu 6,6% (+R$ 0,40/kg), cotado a R$ 6,50/kg. A competitividade do bovino frente ao frango melhorou 8,1%, passando de 3,18kg para 2,92kg (0,26kg a menos de frango por quilo de carne bovina).
Enquanto isso, a carne suína viva amarga um cenário crítico em 2026. No início de setembro, renovou as mínimas do ano com queda acumulada de quase 50,0% comparado ao fechamento de 2025, operando no menor patamar médio desde 2020. Enquanto o boi gordo (Cepea) valorizou 8,0% até 3 de setembro de 2026, o suíno vivo desabou no mesmo período.
Demanda aquecida nos EUA e cenário internacional
A alta nos preços da carne bovina nos EUA em agosto de 2026 (frente a julho) segue mantendo as cotações do mercado americano próximas das máximas históricas nominais, ainda que levemente abaixo de agosto de 2025. O rebanho norte-americano em queda restringe a oferta para abate no país e empurra a demanda para o mercado brasileiro, como o Farmnews vem acompanhando.
A prova dessa dependência externa está nas estatísticas oficiais: em julho de 2026, os Estados Unidos importaram 26,06 mil toneladas métricas de carne bovina brasileira. Trata-se de um valor mais do que duas vezes superior às 12,66 mil toneladas registradas em julho de 2025, atingindo um novo recorde histórico para o mês.
Imagem principal: Meramente ilustrativa gerada por IA.
