livre comércio
O Acordo Mercosul União Europeia foi aprovado por representantes da UE, mas isso ainda não significa que ele entrou em vigor. O texto precisa passar pelo Parlamento Europeu e por ratificações internas, e pode demorar anos. Se sair, tende a reduzir tarifas, aumentar concorrência e mexer nos preços: comida mais barata na Europa, e produtos industriais mais baratos no Brasil — com impacto direto no bolso.
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A notícia de que a União Europeia aprovou o acordo comercial com o Mercosul soa como “agora vai”… mas não é bem assim. Na prática, essa aprovação é uma etapa importante, porém longe do final da história.
O texto ainda precisa avançar por um caminho político e jurídico que costuma ser mais lento do que fila de banco em segunda-feira. Os próximos passos incluem:
Ou seja: o acordo está andando, mas ainda não está valendo.
E aqui entra um detalhe: mesmo com a aprovação inicial, existe uma percepção de que isso pode não se concretizar antes de 2030. Parece exagero? Talvez. Mas quando o assunto envolve política, lobby agrícola, pressão industrial e disputas ambientais… cinco anos passam rápido e sem aviso.
O acordo UE–Mercosul é tratado como um “megaevento” do comércio internacional por alguns motivos bem objetivos:
Esse pode ser o maior acordo da União Europeia em termos de redução tarifária, abrangendo algo como 780 milhões de consumidores. Isso ajuda a entender por que o tema desperta tanta atenção: é gente demais, dinheiro demais e pressão demais.
Nesse contexto, o Acordo Mercosul União Europeia vira quase uma disputa geopolítica — não só econômica.
Livre comércio é sempre positivo, independentemente de quem assinou, de quem está no governo ou de qual lado político tenta colocar a medalha no peito depois.
A tese central é simples:
Segundo especialistas, “proteger indústria nacional” frequentemente vira desculpa para manter produtos caros, baixa eficiência e pouco incentivo à inovação.
É aquele raciocínio que dói um pouco para alguns setores… mas alivia o bolso do consumidor.
Do lado europeu, um dos maiores impactos esperados é na entrada de produtos agropecuários do Mercosul — com destaque para o Brasil.
Entretanto, agricultores europeus têm medo da concorrência porque o agro brasileiro é mais eficiente. E, traduzindo para o português claro: se chega produto mais barato, alguém vai ter que abaixar preço ou sair do jogo.
Isso explica por que existe resistência especialmente em países como a França, onde o setor agrícola tem peso político enorme.
No fim das contas, quem ganha com isso?
E quem reclama?
O Acordo Mercosul União Europeia mexe justamente nesse ponto sensível: o agro é estratégico, mas também é competitivo — e ninguém gosta de competir quando o outro lado é mais forte e tem produtos mais baratos.
Do lado brasileiro, o impacto vai muito além de “exportar mais carne” ou “vender mais soja”. Existe também o efeito inverso: mais produtos industriais europeus entrando aqui com tarifas menores.
Alguns exemplos diretos (e fáceis de visualizar):
E aqui surge o conflito clássico:
✅ Consumidor tende a ganhar com preços menores.
❌ Parte da indústria nacional teme ser esmagada pela competição.
A visão de alguns é que o saldo final ainda é positivo, porque o benefício coletivo (preços menores, mais opções, mais eficiência) supera a perda localizada de setores protegidos.
Em resumo: para quem compra, tende a ser bom. Para quem vive de vender caro porque não tem concorrente, tende a ser péssimo (que surpresa, né?).
A oposição ao acordo não acontece só por “birra política”. Existem interesses econômicos claros em jogo.
Agricultores europeus temem:
Indústrias brasileiras temem:
E é aí que o debate fica quente, porque o comércio internacional não distribui ganhos de forma “igualzinha”.
Ele distribui ganhos como a vida real: alguém ganha mais, alguém ganha menos, e alguém passa a reclamar mais alto.
O Acordo Mercosul União Europeia é exatamente esse tipo de mudança.
Uma parte grande do discurso é política.
Segundo analistas políticos, a esquerda brasileira e a “esquerda mundial” barraram o avanço do acordo em 2019 para que não fosse visto como uma conquista de Bolsonaro e Paulo Guedes.
Além disso, na época, houve pressão midiática com argumentos ligados à Amazônia, como:
Esse discurso teria influenciado países europeus e reforçado resistências que travaram o processo.
Agora, para alguns, o acordo “voltou ao ponto de 2019”, mas com mais exigências, mais amarras e mais dificuldade política. Ou seja: voltou, mas voltou pior — nessa visão.
Mesmo defendendo o livre comércio, o preço para reativar a negociação foi aceitar novas exigências europeias, principalmente em temas ambientais e regulatórios.
Independentemente do tom, o ponto prático é:
E isso pode afetar custos, produtividade e regras de produção no Brasil.
Aqui o Acordo Mercosul União Europeia deixa de ser “só comércio” e vira também um pacote regulatório.
Outro ponto importante citado são os mecanismos de proteção de setores sensíveis europeus.
Especialistas, descrevem uma lógica parecida com isso:
Ou seja: existe uma porta de saída para a UE caso o acordo cause um choque grande demais no mercado interno.
Setores citados como sensíveis incluem:
Na prática, isso reduz parte do entusiasmo do “livre comércio total”, porque é como dizer:
“Sim, vamos abrir o mercado… mas se doer muito, a gente fecha um pouco.”
O Acordo Mercosul União Europeia pode virar um comércio “com cinto de segurança”.
Mesmo com a aprovação inicial, existe ceticismo por motivos claros.
Por exemplo:
E esse detalhe é enorme.
Porque, politicamente, é no Parlamento Europeu que muitos acordos morrem ou ficam congelados até virar pó. É onde se concentram disputas públicas, pressões organizadas e o tipo de oposição que gosta de aparecer para a câmera dizendo: “Eu salvei a Europa do perigo estrangeiro”.
Além disso, é bom lembrar que o acordo anterior caiu justamente nessa etapa, então não dá para tratar como “missão cumprida” ainda.
E sim: isso significa que o Acordo Mercosul União Europeia pode virar apenas mais um capítulo de uma novela longa.
Parte do impulso atual ao cenário externo, se deve à política de tarifas dos Estados Unidos, especialmente associadas ao Trump, que teriam incentivado países a buscar alternativas comerciais fora dos EUA.
A lógica seria:
Para os economistas: tarifa é sempre ruim, porque reduz competição e aumenta preços.
No fim, a geopolítica empurra a economia, que empurra a diplomacia, que empurra o acordo de novo para a mesa.
E mais uma vez o Acordo Mercosul União Europeia reaparece como oportunidade… e também como disputa.
O acordo entre Mercosul e União Europeia tem potencial de ser uma transformação relevante nas próximas décadas — especialmente para o Brasil, que pode ampliar exportações e, ao mesmo tempo, ganhar acesso a produtos mais baratos, mais tecnologia e maior concorrência.
Mas o caminho ainda é longo.
No entanto existe a torcida para que o acordo avance porque ele é benéfico para o futuro do Brasil. Mesmo reconhecendo que pode haver ganhos políticos para o governos atual: o efeito econômico de longo prazo seria muito maior.
Agora, se vai virar realidade antes de 2030?
Aí… só o tempo (e uns 25 anos de paciência) vão confirmar.
Imagem principal: IA.
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