Para Quem Tem Pressa
O Border Collie é mundialmente consagrado como a raça canina mais inteligente e um dos mais eficientes parceiros no pastoreio rural. No entanto, a diversidade entre os tipos de Border Collie surpreende muitos criadores e tutores: a raça possui duas variações oficiais de pelagem (curta e moderadamente longa) e dezenas de combinações de cores reconhecidas pela Federação Cinológica Internacional (FCI). Compreender esses padrões não é apenas uma questão estética, mas uma exigência sanitária, já que cruzamentos indevidos podem gerar graves anomalias genéticas, como surdez e cegueira.
A versatilidade e as características morfológicas da raça
Border Collie Famoso pelo vigor físico, facilidade de adestramento e instinto aguçado para o trabalho no campo, o cão de pastoreio originário da fronteira entre Escócia e Inglaterra conquistou o agronegócio e a vida urbana. Contudo, ao contrário do que a imagem comum sugere, o animal não se restringe ao contraste bicolor escuro e claro.
A padronização internacional estabelecida pelas entidades cinológicas categoriza os animais fundamentalmente pelo comprimento e pela densidade da cobertura pilosa, além de um amplo leque de tonalidades pigmentares.
Variações de comprimento: pelo curto versus pelo longo
Na divisão primária dos tipos de Border Collie, encontram-se duas variedades principais:
- Pelo moderadamente longo: Apresenta fios mais grossos, com comprimento médio em torno de 8 centímetros, formando juba abundante ao redor do pescoço, franjas nas patas dianteiras e culotes nos membros traseiros.
- Pelo curto: Com fios planos de aproximadamente 2,5 centímetros, exibe textura ligeiramente mais fina e aspecto visual mais rústico e compacto, sendo bastante apreciado em regiões de clima quente por facilitar a visualização de carrapatos e diminuir o acúmulo de sujidades vegetais durante o trabalho de campo.
Ambas as linhagens compartilham uma estrutura de proteção térmica imprescindível: o subpelo denso e macio. Esse isolamento biológico atua como barreira contra intempéries climáticas, protegendo tanto da umidade e do frio cortante quanto da incidência direta do calor excessivo.
Diversidade de cores e padrões aceitos pela cinofilia
A genética confere ao animal uma impressionante riqueza cromática. De acordo com os padrões da Federação Cinológica Internacional (FCI) e da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), uma ampla gama de combinações é admitida, desde que a cor branca nunca seja predominante no corpo.
As variações incluem:
- Bicolores tradicionais: Preto e branco, marrom (chocolate) e branco, azul e branco (cinza ardósia) e variações de areia ou vermelho australiano;
- Tricolores: Fundos preto, marrom ou ardósia com presença de branco e marcações em castanho (tan) nas sobrancelhas, focinho e extremidades;
- Padrão Merle: Como o Blue Merle e o Red Merle, caracterizados por uma diluição irregular de pigmento que confere aspecto manchado ou salpicado;
- Tons raros: Seal (castanho escuro quase preto), Lilac (diluição prateada com marrom) e Sabre.
Alerta genético: os perigos do cão predominantemente branco
A seleção de acasalamento exige conhecimento técnico rigoroso. A regra cinológica que desqualifica animais com predomínio de branco visa resguardar a integridade biológica do plantel.
O nascimento de filhotes de Border Collie totalmente ou predominantemente brancos costuma derivar do acasalamento irresponsável entre dois exemplares de padrão merle (o chamado “Double Merle”). A homozigose desse gene está associada à despigmentação de pele, focinho e íris, acarretando alta incidência de:
- Cegueira congênita ou microftalmia (olhos subdesenvolvidos);
- Surdez unilateral ou bilateral decorrente da falta de células sensoriais no ouvido interno;
- Maior vulnerabilidade a dermatites solares e alterações sistêmicas.
Por essa razão, entidades oficiais proíbem o cruzamento entre dois indivíduos merle, reforçando a importância de adquirir exemplares de criatórios idôneos e com controle genealógico atestado.
Cuidados com a pelagem e identificação de problemas dermatológicos
Independentemente de pertencer ao grupo de pelo curto ou longo, a raça Border Collie passa por ciclos contínuos de renovação capilar, acentuados nas trocas sazonais de estação.
A escovação periódica — recomendada pelo menos duas vezes por semana — é a melhor prática de manejo. O hábito remove pelos mortos, previne a formação de nós nas áreas de franja e estimula as glândulas sebáceas, distribuindo os óleos protetores naturais ao longo dos fios.
O produtor rural ou tutor deve monitorar sinais clínicos que extrapolam a queda fisiológica normal:
- Falhas circulares ou áreas desprovidas de pelo (alopecia);
- Presença de prurido intenso (coceira) e feridas por lambedura;
- Eritema (vermelhidão cutânea), descamação excessiva ou odor fétido;
- Excesso de oleosidade na base dos folículos.
Diante de qualquer um desses indícios, a recomendação prioritária é encaminhar o animal para avaliação médica-veterinária, descartando ectoparasitas, alergias alimentares ou infecções fúngicas.
imagem: IA

