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Terras raras no Brasil expõem dilema histórico e disputa global

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As terras raras no Brasil colocam o País no centro da disputa global. Entenda o dilema entre exportar minério ou investir em refino e tecnologia.

Para Quem Tem Pressa

As terras raras no Brasil ganharam protagonismo global após o interesse direto dos Estados Unidos e reacenderam um velho dilema nacional: continuar exportando matéria-prima ou investir em refino, tecnologia e valor agregado. Com a segunda maior reserva do mundo, o País tem potencial estratégico, mas enfrenta gargalos tecnológicos, regulatórios e logísticos que podem definir seu papel na economia global pelas próximas décadas.


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Terras raras no Brasil entram no radar das potências globais

O debate sobre terras raras no Brasil deixou o campo técnico e passou a ocupar o centro das discussões econômicas, industriais e geopolíticas em 2025. O motivo é claro: a corrida global por minerais estratégicos, impulsionada pela transição energética, pela indústria de alta tecnologia e pelo setor de defesa, chegou definitivamente ao território brasileiro.

O interesse explícito dos Estados Unidos nas reservas nacionais expôs um dilema antigo. O Brasil seguirá o modelo histórico de exportador de minério bruto ou avançará na cadeia de valor, dominando etapas como refino, processamento químico e aplicações industriais?

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Reservas existem, mas exploração ainda engatinha

Os números mostram que o potencial é grande, mas pouco explorado. O País possui dezenas de lavras autorizadas e centenas de pedidos em análise, além de milhares de autorizações de pesquisa mineral ativas. Apesar disso, apenas uma operação comercial de terras raras no Brasil está em funcionamento pleno atualmente.

Essa operação, localizada em Goiás, ainda está em fase de ramp-up e produz óxidos usados principalmente na fabricação de ímãs permanentes — componentes críticos para motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta eficiência energética.


Minas Gerais avança com projetos de capital estrangeiro

Enquanto a produção nacional ainda é incipiente, projetos em Minas Gerais começam a ganhar tração. Iniciativas com capital australiano obtiveram licenças ambientais e inauguraram plantas-piloto para validar processos industriais de refino.

Esses projetos buscam transformar argilas iônicas em carbonatos e óxidos de terras raras, passando por etapas complexas como lixiviação, remoção de impurezas, precipitação e filtração. Embora os volumes ainda sejam modestos, representam um passo relevante na tentativa de agregar valor às terras raras no Brasil.


O dilema do refino: Pragmatismo ou ambição industrial?

Aqui está o coração do debate. Parte dos especialistas alerta que o Brasil corre o risco de repetir erros históricos ao exportar minério bruto e importar produtos de alto valor agregado. Outros defendem uma estratégia mais pragmática.

O argumento é simples: a China domina cerca de 70% da produção global e aproximadamente 85% da capacidade de refino de terras raras. Esse domínio foi construído ao longo de décadas, com pesado investimento estatal, transferência forçada de tecnologia e tolerância a riscos ambientais — um modelo difícil de replicar rapidamente.

Antes de buscar acordos com o Brasil, inclusive, os Estados Unidos tentaram negociar diretamente com os chineses, o que evidencia o peso geopolítico desses minerais.


Tecnologia, tempo e política pública

Especialistas concordam em um ponto: o Brasil pode dominar a tecnologia associada às terras raras no Brasil, mas isso exige planejamento, estabilidade regulatória e visão de longo prazo. Não se trata apenas de investir recursos financeiros, mas de internalizar conhecimento.

Decisões tomadas agora terão efeitos daqui a 10 ou 15 anos. Além disso, ninguém transfere tecnologia crítica gratuitamente. O desafio é avançar na extração — mais imediata — enquanto se constrói, de forma gradual, uma cadeia de valor mais sofisticada.


Investimentos ainda são tímidos

Apesar do interesse crescente, os projetos de terras raras representam pouco mais de 3% dos investimentos previstos para o setor mineral brasileiro entre 2025 e 2029. Em termos globais, esse volume ainda é modesto frente ao necessário para competir com grandes players internacionais.

Isso reforça a urgência de uma estratégia clara: sem escala, tecnologia e segurança jurídica, o Brasil corre o risco de perder uma janela histórica.


Terras raras: O que está realmente em jogo

Mais do que cifras, as terras raras no Brasil colocam em jogo soberania industrial, posicionamento geopolítico e protagonismo na transição energética. O País está diante de uma escolha estrutural: permanecer como fornecedor de insumos básicos ou avançar rumo à indústria tecnológica e à agregação de valor.

A decisão não é simples, mas uma coisa é certa: ficar parado não é uma opção.

Imagem principal: IA.


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