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Sucessão soja-trigo: Pragas de sistema

Sucessão soja-trigo: Pragas de sistema. Quando pensamos em pragas de sistema, é preciso relacionar a sua ocorrência com a adoção do plantio direto, há mais de duas décadas. Com isso em mente, fica claro que existem pragas associadas ao sistema produtivo como um todo, e não apenas a uma cultura específica, como a soja. Exemplos incluem as pragas subterrâneas e de ciclo longo, como os corós; as pragas que utilizam a palhada como abrigo e são beneficiadas pela condição microclimática que a mesma proporciona, como percevejos barriga-verde; além de pragas típicas da parte aérea, tendo ocorrência conforme práticas empregadas no sistema (sucessão de culturas, dessecação, adubação verde, manejo fitossanitário), como lagartas cortadoras e desfolhadoras.

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Veja também: Sistema para monitorar pragas da soja

Por outro lado, independentemente da adoção do plantio direto, a expansão de áreas de cultivo juntamente com clima favorável, desequilíbrios ecológicos e tipos de manejo empregados possibilitaram o aumento de importância de algumas pragas anteriormente consideradas secundárias, como mosca-branca, ácaros e certas espécies de percevejos. Somado a isso, há pragas-chave cuja importância não se alterou com a adoção do plantio direto, como as lagartas desfolhadoras de soja, milho e trigo, percevejos da soja, pulgões do trigo e vaquinhas de modo geral.

Pensando na sucessão soja-trigo (comum no Sul do Brasil), as pragas de sistema se tornam particularmente relevantes, visto que o controle bem feito na primeira cultura beneficiará a subsequente. Como visto anteriormente, a manutenção da palhada no sistema plantio direto beneficia algumas pragas; em contrapartida, outras permanecem no sistema independentemente da presença de restos culturais. Nesse texto, vamos abordar as principais pragas de sistema que se beneficiam da sucessão soja-trigo e possíveis estratégias de manejo.

Dentro do complexo de percevejos fitófagos, o percevejo barriga-verde (Dichelops furcatus ou D. melacanthus) se destaca nos sistemas de sucessão por ser capaz de sobreviver durante longos períodos de tempo sob condições desfavoráveis. Após a colheita da soja, essa espécie se dispersa para hospedeiros alternativos, como plantas daninhas (Figura 1) e restos culturais de entressafra, até encontrar um ambiente favorável e atacar a próxima cultura – nesse caso, o trigo.

A lagarta-militar (Spodoptera frugiperda) também é considerada uma praga de sistema, visto que apresenta um aumento populacional durante o verão e permanece infestando as culturas de inverno, principalmente em anos de seca ou com períodos de estiagem. Da mesma forma, a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) e a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon) ocorrem com frequência no início da estação invernal, afetando o estabelecimento do trigo, aveia e outros cereais de inverno. Condições de alta temperatura e baixa umidade favorecem a reprodução e desenvolvimento dessas espécies, que possuem o hábito de se proteger na palhada ou sob o solo durante o dia e causar danos nas plantas durante a noite (Figura 2) (Embrapa, 2013).

Para o controle da lagarta-militar, há 46 produtos registrados na cultura do trigo e 44 na cultura da soja, compreendendo em sua maioria os grupos dos carbamatos, diamidas, piretróides, benzoiluréias e organofosforados. Já para o controle da lagarta-elasmo, existem somente 9 produtos registrados para uso em trigo, sendo em sua maioria organofosforados; e, embora contenha 47 produtos registrados para uso em soja, estes são em sua maioria do grupo dos pirazóis, exigindo cuidados com relação à seleção de populações resistentes. Da mesma forma, a lagarta-rosca possui 17 produtos registrados para a cultura da soja, sendo a maioria carbamatos; e 8 produtos registrados para a cultura do trigo, sendo todos organofosforados (Agrofit, 2021).

As estratégias de manejo para essas espécies estão vinculadas com o controle bem feito na safra de soja, já pensando no cultivo seguinte. Ou seja, além do controle químico antecipado dos insetos durante a safra de soja (visando reduzir as populações infestantes), a eliminação de hospedeiros alternativos da área, como as plantas daninhas capim-carrapicho, capim-amargoso e trapoeraba, também é um fator a ser considerado – principalmente visando o controle de percevejos.

No contexto de sucessão soja-trigo, o manejo de percevejos em anos com alta pressão de população pode ser complementado com uma aplicação no final do ciclo da soja, ou adicionando um inseticida no manejo de dessecação na pré-semeadura do trigo. Ressalta-se que o controle antecipado de percevejos na safra de verão ocasiona quebra do ciclo da praga, redução no número de aplicações e, por conseqüência, maior rentabilidade do sistema produtivo (Grigolli, 2016).

Somado a isso, o tratamento de sementes de trigo é uma prática fundamental para o controle das lagartas que atacam no estabelecimento da cultura. Pulverizações de inseticida em parte áerea apresentam, nesses casos, menor eficácia de controle, já que durante o dia essas espécies de lagartas se protegem sob o solo ou palhada; portanto, o controle via pulverização deve ser feito preferencialmente no período noturno. Por fim, o monitoramento rigoroso e frequente é a chave para o sucesso, visando um manejo eficiente e uma tomada de decisão assertiva no controle de pragas do sistema soja-trigo.

REFERÊNCIAS:

Agrofit. Ministério da Agricultura, Pecária e Abastecimento (MAPA). Acesso 11/05/21. Disponível em http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons

GRIGOLLI, J. Pragas da soja e seu controle. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2015/2016. Disponível em https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/272/272/5ae094adae692b52cb18ab138a3cb3cb661f0692c97fc_capitulo-05-pragas-da-soja-somente-leitura-.pdf

Hoffmann-Campo C.B., Oliveira L.J.†, Moscardi F.†, Corrêa-Ferreira B.S., Corso I.C. Pragas que atacam plântulas, hastes e pecíolos da soja. Embrapa Soja. 2013 – Capítulo 3. Disponível em http://www.cnpso.embrapa.br/artropodes/

Fonte: Equipe Mais Soja. Por: Rodrigo Krammes.

Carine Colim

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