cultivo da soja
Plantio sob instabilidade climática é o novo desafio dos produtores de soja: excesso ou falta de chuva afetam diretamente a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas. Entenda como ajustar o manejo técnico para reduzir perdas e garantir produtividade mesmo em anos de clima imprevisível.
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A instabilidade climática tem marcado o início da safra 2025/26 e imposto desafios significativos aos produtores de soja. Chuvas intensas e mal distribuídas, alternadas com períodos de seca e temperaturas abaixo da média, vêm alongando a janela de plantio sob instabilidade climática e exigindo estratégias técnicas cada vez mais precisas para garantir o bom estabelecimento das lavouras.
Segundo Ricardo Allebrandt, Coordenador Técnico de Mercado Latam na Nitro, essa irregularidade afeta tanto o calendário de semeadura quanto o desempenho inicial das plantas. “As precipitações frequentes atrasaram a colheita de trigo e, consequentemente, o plantio da soja. Já onde o plantio foi realizado, o excesso de umidade e o frio prejudicaram o vigor e exigem manejo de recuperação das áreas afetadas”, explica o especialista.
Em períodos de chuvas acima do ideal, o solo tende a ficar encharcado, reduzindo o oxigênio e dificultando a respiração das sementes. Nessa condição, a germinação da soja é retardada e o vigor das plantas cai, favorecendo o aparecimento de doenças como Phytophthora sojae e Pythium spp., causadoras de podridões radiculares.
Além disso, chuvas intensas provocam o selamento superficial do solo — uma crosta endurecida que aumenta a resistência à emergência das plântulas. Resultado? As pequenas plantas gastam energia demais para romper o solo e acabam perdendo força logo no início do ciclo.
Na outra ponta do plantio sob instabilidade climática, o atraso ou ausência de chuvas causa o efeito oposto, mas igualmente danoso. A semente de soja precisa absorver cerca de 50% de seu peso em água para germinar. Em solos secos, essa absorção ocorre de forma irregular, resultando em germinação desuniforme e até morte de plântulas.
A falta de umidade também prejudica a atividade microbiana e atrasa a nodulação, reduzindo a fixação biológica do nitrogênio — essencial para o desenvolvimento inicial da cultura. Em resumo: o produtor planta, mas a soja “não vai”.
Planejar o plantio sob instabilidade climática exige entender a janela ideal de semeadura. A soja tem melhor desempenho quando o solo está úmido, a temperatura média entre 25°C e 30°C e o risco de veranicos é baixo. Plantios precoces aumentam o risco de falhas de emergência; os tardios, por outro lado, expõem a cultura ao calor e déficit hídrico na fase reprodutiva.
A qualidade fisiológica das sementes é determinante. Cada ponto percentual de vigor pode representar um ganho médio de 28 quilos de soja por hectare. Para isso, entram em cena os tratamentos fisiológicos, nutricionais e biológicos que ajudam a expressar o potencial máximo mesmo em condições adversas.
Tecnologias com extratos de algas, aminoácidos e compostos bioativos estimulam a quebra de reservas e reduzem os danos do estresse térmico e hídrico. Já os nutrientes Molibdênio, Cobalto e Níquel garantem a eficiência da fixação biológica do nitrogênio.
Microrganismos como o Bacillus aryabhattai se destacam por formar um biofilme natural na rizosfera, ajudando a reter água e mantendo as plantas hidratadas em períodos de seca. Uma espécie de “sistema de irrigação invisível”, como brincam alguns técnicos de campo.
Um bom manejo do solo é o alicerce para enfrentar o plantio sob instabilidade climática. Solos bem estruturados, com boa infiltração de água, correção de acidez e cobertura de palhada, reduzem tanto o risco de encharcamento quanto o de desidratação.
Complementarmente, o uso de previsões meteorológicas e dados históricos ajuda o agricultor a planejar com mais precisão, ajustando a operação conforme as tendências regionais.
O plantio sob instabilidade climática é o novo normal. A boa notícia é que, com planejamento, vigor de sementes e manejo inteligente, o produtor pode não apenas minimizar as perdas, mas transformar o desafio em oportunidade. Afinal, quem entende o clima — e o solo — está sempre um passo à frente do tempo.
Imagem principal: Depositphotos.
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