Soja em Chicago fecha em baixa na CME e encerra semana com queda de 2,4%; compras da China não sustentaram preços. Veja os fechamentos.
PARA QUEM TEM PRESSA
- Os contratos futuros de soja na CME (Bolsa de Chicago) fecharam em baixa no dia 16 de outubro de 2026, último pregão da semana.
- O vencimento de novembro de 2026, mais líquido, ficou em US$ 12,61¼ por bushel, com recuo de 1¾ centavo (–0,14%, em cálculo do Agron).
- Janeiro/2027 fechou a US$ 12,75¾ por bushel (–2 centavos) e março/2027 a US$ 12,84¼ por bushel (–2 centavos).
- A semana inteira foi negativa: novembro acumulou perda de 30,75 centavos, o equivalente a cerca de 2,4% (cálculo do Agron), e fechou no vermelho pela quinta sessão seguida.
- A China anunciou novas compras de soja americana durante a semana, mas o volume não foi suficiente reverter a pressão de baixa, segundo analistas de mercado.
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Soja em Chicago fecha em baixa e encerra semana com queda de 2,4% na CME
O fechamento de 16 de outubro
Os contratos futuros de soja negociados na CME Group, em Chicago, encerraram o último pregão da terceira semana de outubro com leve retração. Os três vencimentos com maior liquidez fecharam todos no vermelho, com perdas que variaram de 1¾ a 2 centavos de dólar por bushel.
| Contrato (CME) | Fechamento (US$/bushel) | Variação (cents/bu) | Variação percentual* |
|---|---|---|---|
| Novembro/2026 | 12,61¼ | –1,75 | –0,14% |
| Janeiro/2027 | 12,75¾ | –2,00 | –0,16% |
| Março/2027 | 12,84¼ | –2,00 | –0,16% |
* Variação percentual calculada pelo Agron com base no fechamento do dia anterior (15 de outubro).
Nota: há pequena diferença entre fontes de mercado — o ajuste de liquidação (settle) da CME divulgado por algumas agências ficou até 1 centavo mais baixo no vencimento de novembro (US$ 12,60½). A direção e a magnitude da queda são as mesmas.
Semana termina com cinco sessões seguidas de baixa
A queda de sexta-feira não foi um movimento isolado. Segundo dados da FactSet citados pela Dow Jones, a soja fechou no vermelho pela quinta sessão consecutiva em 16 de outubro — sete das últimas oito oito sessões terminaram em baixa.
Pelo levantamento do Agron com base nos fechamentos de Brownfield Ag News, o contrato de novembro passou de US$ 12,83¾ por bushel em 13 de outubro para US$ 12,61¼ em 16 de outubro. A perda acumulada na semana, de 30,75 centavos por bushel, representa cerca de 2,4% sobre o fechamento da semana anterior (US$ 12,92, cálculo do Agron). O contrato chegou a tocar mínimo de seis semanas durante o dia, conforme relato de operadores.
Compras da China não sustentaram os preços
Na própria sexta-feira (16), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou venda flash de 558 mil toneladas de soja americana para a China, além de 236 mil toneladas para destinos desconhecidos — categoria frequentemente associada a compradores chineses. Somando a semana inteira, as compras chinesas anunciadas pelo USDA chegaram a 1,358 milhão de toneladas, segundo a Barchart.
Mesmo assim, os preços não reagiram. “O retorno da China às compras já era, pelo menos em parte, esperado pelo mercado”, explicou Joe Davis, da Futures International, em nota citada pela Dow Jones.
O que pressionou os preços, segundo analistas
A Dow Jones atribuiu a pressão sobre o complexo de grãos a dois fatores principais: dólar americano mais forte e clima mais ameno do que o esperado no Corn Belt, que tem favorecido o avanço da colheita americana. “A história climática que ajudou a alimentar o otimismo do mercado de grãos está começando a se desfazer”, avaliou Scott Mathews, da BestWeather, em nota. “Chuvas melhorando no Planalto americano, condições iniciais favoráveis na América do Sul e exposição especulativa substancial podem deixar milho, soja e trigo vulneráveis a novas vendas.”
Há também indícios de saída de fundos. Dados da CFTC (Commodity Futures Trading Commission) divulgados na sexta-feira mostraram que fundos especulativos reduziram em 14.169 contratos sua posição comprada líquida em futuros e opções de soja até 13 de outubro, passando a 237.491 contratos. “Há especulação de que fundos estão saindo de posições compradas em commodities antecipando uma recessão nos EUA”, disse Charlie Sernatinger, da Marex, em nota citada pela Dow Jones.
O que isso significa para o produtor brasileiro
A Bolsa de Chicago é a referência global para o preço da soja, e seus movimentos influenciam as cotações no Brasil. Contudo, o preço efetivamente recebido pelo produtor brasileiro não depende apenas da CME: ele também é função da taxa de câmbio, do prêmio de porto (basis) e dos custos de escoamento internos. Uma queda de 2 centavos em Chicago, portanto, não se traduz automaticamente na mesma variação no mercado interno.
Para a próxima semana, a agenda do USDA inclui o relatório semanal de Inspeções de Exportação de Grãos (segunda-feira, 11h horário de Washington) e o relatório de Progresso da Cultura (Crop Progress), também na segunda-feira à tarde — dois documentos que costumam mover o mercado.
Fontes
- Brownfield Ag News — fechamentos de 16 de outubro de 2026 e série dos dias anteriores.
- Barchart/TradingView News — fechamentos dos vencimentos de novembro, janeiro e março; dados de exportação do USDA; dados CFTC; perda semanal.
- Dow Jones/Morningstar — contexto de mercado, cinco sessões seguidas de baixa, declarações de analistas (Scott Mathews/BestWeather, Joe Davis/Futures International, Charlie Sernatinger/Marex) e agenda do USDA.
- Ag Bull Trading — confirmação de fechamento e perda semanal do contrato de novembro.
- Material de pesquisa do Agron (CME Group/Notícias Agrícolas) — pauta e valores de referência.
- Imagem principal: Depositphotos
