Silagem de Grão Úmido-Reidratado em gado de Leite
Esta matéria sobre silagem de grão úmido-reidratado em gado de Leite , originada da dissertação intitulada “Uso de silagem de grão úmido/reidratado de milho sobre indicadores técnicos e econômicos em bovinos de leite”, foi defendida na Universidade Federal de Lavras (UFLA). O trabalho cumpriu os requisitos do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Produção Animal e é de autoria de Gustavo Graciano Mundim, que atua como consultor do Projeto Educampo, do Sebrae, sob a orientação da Professora Dra. Sarah Laguna Conceição Meirelles, docente de Melhoramento Genético Animal na UFLA.
Mundim possui uma relação próxima e compreensiva com os produtores de leite. Seu estudo é motivado pela intenção de oferecer diretrizes que auxiliem na gestão eficiente da atividade, visando tanto a sustentabilidade econômica quanto a melhoria dos resultados zootécnicos na produção leiteira.
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O milho (Zea mays L.) é um dos cereais mais importantes no mundo, com aplicações que vão desde a alimentação animal e humana até a produção de embalagens biodegradáveis. Na produção animal, o milho grão é amplamente utilizado como fonte de energia devido à alta concentração de amido.
O amido constitui cerca de 88% do endosperma do grão de milho, que representa 83% do peso total do grão. Este amido é organizado em grânulos envoltos por proteínas chamadas de zeínas. A estrutura do grão pode ser farinácea ou vítrea, com o milho brasileiro geralmente apresentando maior vitreosidade, o que reduz sua degradação ruminal e, consequentemente, seu aproveitamento pelo animal.
Para melhorar a digestibilidade do milho, diferentes técnicas de processamento físico ou químico são utilizadas. Veja como aplicar essas técnicas em sua propriedade:
A moagem é um método simples e eficiente que aumenta a exposição do amido à ação de bactérias ruminais, melhorando a digestão inicial. Para moer o milho, use um moinho apropriado que triture os grãos em partículas menores, facilitando a digestão pelos animais.
Estes métodos são mais sofisticados e caros, mas oferecem maiores ganhos em digestibilidade. A laminação envolve a passagem dos grãos por rolos quentes que os achatam, enquanto a floculação aquece e umedece os grãos antes de secá-los. Embora sejam técnicas mais caras, podem ser viáveis para produtores com maior escala de produção.
A ensilagem do milho grão úmido/reidratado (GUR) é uma técnica que melhora a digestibilidade e facilita o armazenamento. Existem duas formas principais de ensilagem:
A ensilagem do milho garante maior fermentação no rúmen, resultando em mais metabólitos utilizados para manutenção, gestação, ganho de peso e produção de leite. Em vacas em lactação, o consumo de alimentos pode ser regulado pela quantidade de metabólitos gerados, que enviam sinais de saciedade ao fígado, diminuindo a ingestão de alimentos.
Dados do SEBRAE-MG mostram que a utilização da silagem de milho grão úmido/reidratado (GUR) pode ter um impacto significativo nos custos e na eficiência das propriedades leiteiras. Entre 2019 e 2021, o preço do milho e dos insumos aumentou, especialmente durante a pandemia de COVID-19, afetando diretamente a relação de troca dos produtores.
O uso de silagem de milho mostrou-se vantajoso, com aumento de 40% no número de fazendas adotando a prática entre 2019 e 2021. Fazendas que utilizam GUR têm, em média, 20% mais área para pecuária, 59% mais produção de leite diária e melhor eficiência alimentar comparadas às que não utilizam.
Para aplicar a técnica de ensilagem de milho grão úmido/reidratado em sua fazenda, siga estas etapas:
Fazendas que utilizam GUR apresentam maior produção por hectare e por vaca em lactação, além de melhor uso do capital terra. A silagem de milho também permite maior controle sobre os custos com concentrados, resultando em menores despesas e melhor margem líquida.
Na produção leiteira, a gestão eficiente dos custos com insumos é crucial para maximizar a lucratividade. Dada a constante variação nos preços desses recursos, adotar estratégias inteligentes de compra é essencial para minimizar despesas. A variação regional dos preços, influenciada pela produção local e demanda, destaca a necessidade de uma abordagem adaptativa e bem informada nas decisões de compra.
Observar e agir conforme as tendências de mercado é fundamental. O padrão histórico dos preços de insumos-chave como o milho revela períodos do ano em que os custos tendem a ser mais baixos, especialmente durante a safra na região Centro-Oeste, onde a produção atinge seu pico (Gráfico 1).
O farelo de soja, analisado em uma série histórica trimestral, apresentou preços mais baixos nos primeiros dois trimestres do ano (Gráfico 2). A análise dos preços históricos do milho também revela uma tendência de valores mais acessíveis nos trimestres centrais de cada ano (Gráfico 3). Esse padrão recorrente pode ser explicado pela intensificação da colheita de safrinha na região Centro-Oeste do Brasil durante esses meses. A elevada produção nesse período aumenta a oferta do grão, facilitando o escoamento para outras regiões do país. Essa dinâmica sazonal oferece aos produtores leiteiros uma oportunidade para planejar suas compras estrategicamente, aproveitando os momentos de menor custo e otimizando seus gastos com a alimentação do rebanho. Compreender bem esse ciclo permite uma gestão mais eficiente dos recursos, potencializando a rentabilidade ao longo do ano.
O relatório do Educampo/Sebrae MG destaca como a compra programada de insumos (Gráfico 4), alinhada à sua disponibilidade e preço, pode economizar recursos e garantir um suprimento constante necessário para a manutenção da produção. Propriedades com maior rentabilidade geralmente compram maiores volumes de milho nos trimestres de preços históricos mais baixos.
Estabelecer contratos de compra para o farelo de soja ao longo do ano permite uma distribuição mais equilibrada dos custos e do estoque, otimizando o fluxo de caixa e a gestão de recursos.
Um dos desafios para a implementação eficaz de compras estratégicas é a capacidade de armazenamento na propriedade. A possibilidade de armazenar grandes volumes de insumos, como o milho, oferece vantagens significativas, como a conservação do valor nutricional e a redução de perdas. O milho grão ensilado surge como uma solução inovadora, permitindo o armazenamento prolongado com qualidade e minimizando perdas causadas por fatores externos como transporte, comercialização, insetos e roedores.
A elevação da produtividade, quando bem gerenciada, resulta na diluição dos custos na atividade leiteira. Essa otimização pode ser alcançada tanto pelo aumento do número de animais em lactação quanto pela elevação da produção individual por animal. Ambas as estratégias contribuem para a diluição dos custos fixos e variáveis, melhorando a margem líquida por unidade de produto para o produtor, conforme destacado pela Plataforma Educampo/Sebrae MG (2022). Os dados analisados (Gráficos 5 e 6) ressaltam a correlação positiva entre o aumento da produtividade e a melhoria da margem líquida.
A busca pela eficiência produtiva na pecuária leiteira é essencial para garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor. Essa busca envolve diversas estratégias que vão desde a gestão eficaz do rebanho até a otimização da nutrição animal. Adotar práticas que melhorem a produção individual dos animais e a eficiência na utilização de insumos alimentares são passos cruciais para reduzir custos e ampliar as margens de lucro.
Entre essas práticas, a adoção da silagem de milho grão úmido/reidratado se destaca por oferecer vantagens significativas. Esta técnica melhora a digestibilidade, facilita o armazenamento e reduz os custos, proporcionando uma melhor eficiência produtiva e econômica nas fazendas leiteiras. Além disso, permite ao produtor adotar estratégias de compra mais vantajosas e maior controle sobre a alimentação do rebanho, o que é essencial para enfrentar os desafios do mercado de insumos.
Essas medidas não apenas consolidam a sustentabilidade e a competitividade da atividade leiteira, mas também garantem a continuidade e o crescimento do negócio em um mercado cada vez mais desafiador. A combinação de práticas de gestão eficiente e nutrição otimizada contribui para uma produção mais sustentável, com melhores resultados econômicos e maior resiliência frente às flutuações do mercado.
Fonte: Dissertação de Gustavo Graciano Mundim. Imagem principal: Depositphotos..
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