Se o Golden puxa como trator nos passeios, este ajuste simples transforma caminhadas em momentos leves
Basta pegar a guia e o Golden Retriever já está em estado de euforia. Pulando, abanando o rabo e praticamente arrastando o tutor porta afora. Quem tem um cão dessa raça sabe: o passeio, que deveria ser um momento de prazer, vira uma disputa de força. E muitas vezes, o dono volta mais cansado do que o cachorro. Mas o que poucos sabem é que um único ajuste no equipamento e na abordagem muda tudo — e pode transformar esses passeios em momentos tranquilos e leves.
Não estamos falando de adestramento avançado ou de soluções caras. O segredo está em entender a forma como o Golden se comporta durante a caminhada e corrigir um ponto que quase todo tutor ignora: a posição da guia.
Golden e a força do instinto de tração
O Golden Retriever é um cão originalmente criado para buscar presas durante caçadas, com muita energia e resistência física. Esse histórico faz com que ele tenha o impulso natural de andar à frente do tutor, puxar a guia e explorar o ambiente com intensidade. O problema é que, quando essa força não é direcionada corretamente, o tutor vira passageiro — ou pior, freio — do passeio.
Muitos donos acreditam que basta “segurar firme” ou dar trancos para conter o cão, mas isso só piora a situação. O Golden interpreta o puxão como estímulo ou disputa, o que pode aumentar ainda mais a ansiedade e o impulso de avançar. É um ciclo que se retroalimenta.
Ajuste simples: a troca da coleira comum pelo peitoral anti-puxão
O peitoral anti-puxão é um daqueles acessórios que mudam completamente a relação entre tutor e cão durante os passeios. Diferente das coleiras tradicionais presas nas costas do animal, ele conta com uma argola de fixação na parte frontal, no centro do peito. Isso muda o ponto de tração da guia, de forma que, ao puxar, o próprio Golden se desequilibra levemente para o lado — sem dor, sem força, apenas desconforto o suficiente para fazer com que ele desacelere e volte a prestar atenção.
Esse tipo de ajuste é mais respeitoso com o animal e mais confortável para o tutor. Em poucos dias, o Golden começa a entender que puxar não leva a lugar nenhum, e o hábito vai diminuindo sem que você precise gritar ou usar força física.
A forma de segurar a guia também influencia o comportamento
Além do equipamento, o modo como você segura a guia faz diferença. Guias muito longas dão liberdade excessiva e facilitam o puxão. Já guias muito curtas podem causar tensão constante, o que deixa o Golden mais agitado. O ideal é uma guia de tamanho médio (1,20 a 1,50 m), com uma pegada firme, mas sem esticar totalmente.
Segure a guia com os braços relaxados, mantenha o ombro alinhado e o cotovelo levemente dobrado. A intenção é mostrar que você está no controle, sem transmitir nervosismo. Cães sentem a vibração do tutor pelo tensionamento da guia — se você estiver tenso, o cão fica tenso também.
Ritual de saída: como começar o passeio com equilíbrio
Outro detalhe essencial está nos primeiros 30 segundos do passeio. É nessa fase que o Golden define o tom da caminhada. Se ele sair disparando, e você acompanhar, já perdeu o controle. Por isso, antes mesmo de atravessar o portão, peça que ele se sente e espere. Só libere a caminhada quando ele estiver calmo. Se avançar antes, volte para o ponto inicial e recomece.
Esse pequeno ritual ensina o cão que o passeio acontece sob suas regras — e não sob a empolgação dele. Pode levar alguns dias até que ele entenda, mas a constância vale a pena. Tutores que aplicam essa técnica relatam melhora visível no comportamento do cão em menos de uma semana.
Recompensa e reforço positivo aceleram a transformação
Mesmo com o ajuste no equipamento e na postura, é essencial reforçar o comportamento desejado. Sempre que o Golden andar ao seu lado sem puxar, recompense com elogios, petiscos ou uma pausa para cheirar um arbusto. Esse reforço positivo mostra que caminhar de forma tranquila também pode ser divertido.
Evite castigos ou broncas agressivas. O Golden Retriever é um cão sensível e inteligente — ele aprende mais rápido com motivação do que com medo. Uma simples mudança no tom de voz já é suficiente para corrigir pequenos desvios, desde que você esteja presente emocionalmente durante o passeio.
Transformar o passeio muda a rotina do cão — e a sua também
A verdade é que o passeio não é apenas um momento para gastar energia física. É também uma oportunidade de conexão, de reforço do vínculo entre tutor e cão. Quando o Golden deixa de puxar e começa a caminhar junto, olho no olho, algo muda na relação. O passeio deixa de ser uma batalha e vira um momento de parceria.
Muitos donos relatam que, após a mudança no tipo de coleira e nos primeiros rituais, os cães passaram a voltar para casa mais relaxados, menos destrutivos e até mais obedientes em outras situações do dia a dia. Isso porque o passeio, quando bem conduzido, melhora o equilíbrio emocional do cão como um todo.
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