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Salpas: O segredo gelatinoso do oceano que pode salvar o planeta

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As salpas podem ajudar a capturar carbono no fundo do oceano e influenciar o clima, mas o tema ainda gera debate científico.

Para quem tem pressa:

As salpas são organismos marinhos que podem capturar carbono ao consumir fitoplâncton e afundar no oceano, prendendo CO₂ por séculos. Pesquisas sugerem que suas florações podem multiplicar por cinco esse efeito, mas nem todos os cientistas concordam sobre o real impacto no combate ao aquecimento global.


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O que são as salpas?

As salpas são criaturas transparentes, em forma de feijão de gelatina, que flutuam em mar aberto. Embora pareçam saídas de um filme de ficção científica, elas são inofensivas para humanos. O que as torna especiais é a possibilidade de participarem de um processo natural de retenção de carbono — tema que ainda está sendo debatido na comunidade científica.

Esses organismos se alimentam de fitoplâncton, que absorve CO₂ durante a fotossíntese. Ao consumi-lo, formam pellets fecais densos que afundam rapidamente, levando carbono para as profundezas oceânicas, onde poderia permanecer por centenas de anos.

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A descoberta científica que mudou a visão sobre elas

Em 2 de fevereiro de 2023, um estudo publicado na Nature Communications revelou que as florações de salpas podem quintuplicar o fluxo de partículas que afundam no oceano. Isso indicaria, segundo os autores, uma ampliação da capacidade oceânica de reter carbono.

Por outro lado, alguns pesquisadores apontam que parte desse carbono pode retornar à superfície em processos oceânicos posteriores, reduzindo o impacto líquido desse sequestro. Outros também questionam se o aumento de salpas pode gerar efeitos colaterais nas cadeias alimentares marinhas que anulariam os benefícios climáticos.


O lado “alienígena” das salpas

Além de seu possível papel ambiental, as salpas chamam atenção por sua aparência peculiar. Elas podem se reproduzir assexuadamente por clonagem, formando longas cadeias luminosas que lembram criaturas alienígenas. Apesar da estética curiosa, são completamente inofensivas.

Esse tipo de reprodução garante que, em condições favoráveis, as populações aumentem rapidamente — o que pode amplificar tanto o impacto positivo quanto os efeitos controversos no ecossistema.


O que isso significa para o agronegócio e o clima?

Mesmo que exista debate sobre a magnitude do sequestro de carbono pelas salpas, o tema ganha relevância no contexto das mudanças climáticas. Caso estudos confirmem seu efeito positivo, a retenção de CO₂ nos oceanos poderia reduzir a pressão sobre políticas agrícolas e mitigar eventos extremos que afetam a produção de alimentos.

Ao mesmo tempo, é preciso cautela: mudanças abruptas na biodiversidade marinha, como a superabundância de salpas, podem gerar desequilíbrios que impactem a pesca, a aquicultura e a economia costeira.


Conclusão

As salpas representam um exemplo fascinante de como pequenos organismos podem desempenhar papéis decisivos no equilíbrio climático do planeta. Ao consumirem fitoplâncton e transportarem carbono para as profundezas do oceano, elas oferecem um mecanismo natural de sequestro de CO₂ que, em teoria, poderia contribuir para mitigar os efeitos do aquecimento global. O estudo trouxe evidências promissoras sobre a eficiência desse processo, sugerindo que florações de salpas poderiam multiplicar significativamente a retenção de carbono nos oceanos.

Contudo, ainda é cedo para afirmar o real impacto desse fenômeno. Parte do carbono pode retornar à superfície, e a superabundância desses organismos pode gerar efeitos colaterais imprevisíveis nas cadeias alimentares marinhas. Assim, mais do que uma solução mágica contra as mudanças climáticas, as salpas devem ser vistas como peças de um quebra-cabeça ecológico complexo, cujo funcionamento ainda precisa ser entendido em detalhe. O futuro de sua contribuição dependerá tanto de novas pesquisas científicas quanto da capacidade da sociedade em integrar esse conhecimento às políticas ambientais e de manejo sustentável dos oceanos.


Disclaimer

Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 18 de agosto de 2025. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.

Fonte: Nature Communications. Imagem principal: IA.


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