Robôs aerobóticos que colhem laranjas já estão em testes no Brasil e prometem alta produtividade com câmeras, sensores e sucção para escolher os frutos mais maduros

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Os drones que estão aprendendo a colher laranjas no topo das árvores podem mudar um dos trabalhos mais difíceis do campo

Robôs aerobóticos que colhem laranjas já começaram a ser testados em pomares brasileiros e chamaram atenção por um detalhe que vai além da automação: eles conseguem identificar quais frutos estão maduros, alcançar as partes mais altas das árvores e colher cada laranja individualmente sem derrubar as demais. Em um setor que enfrenta escassez crescente de mão de obra e busca aumentar a produtividade, a tecnologia surge como uma resposta prática para um problema que produtores conhecem há anos.

Robôs aerobóticos que colhem laranjas já estão em testes no Brasil

Os equipamentos foram apresentados durante a Expocitros, em Cordeirópolis (SP), e chegaram ao Brasil por meio da Dal Tecnologia. A solução foi desenvolvida pela empresa israelense Tevel, conhecida por seus Flying Autonomous Robots (FAR), sistemas que já operam comercialmente em países como Itália, Estados Unidos, Chile e Israel.

O mais curioso é que esses robôs não substituem tratores nem colheitadeiras tradicionais. Eles voam entre as árvores, observam cada fruta e tomam decisões em tempo real.

Como funciona a colheita feita por drones

À primeira vista, o equipamento parece apenas um drone comum. Mas o sistema trabalha conectado por cabos a uma base móvel instalada no pomar.

Essa estação fornece energia, processa imagens e recebe os frutos colhidos. Enquanto voam, os robôs utilizam visão computacional, inteligência artificial, sensores e câmeras para analisar cor, tamanho e estágio de maturação de cada laranja. Somente depois dessa avaliação ocorre a colheita.

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O processo acontece por meio de um sistema de sucção delicado, capaz de retirar o fruto sem causar danos. Dependendo do objetivo da produção, também pode ser utilizado um mecanismo de corte do pedúnculo, direcionando a fruta para diferentes finalidades comerciais.

O topo das árvores virou o principal alvo da tecnologia

Um dos pontos que mais chamou atenção dos citricultores brasileiros é a capacidade dos drones de alcançar áreas onde a colheita manual se torna mais lenta, cara e arriscada.

Atualmente, muitos produtores mantêm as árvores entre 3,5 e 4 metros de altura para facilitar o trabalho humano. O problema é que árvores menores podem limitar parte do potencial produtivo dos pomares.

Com os robôs atuando justamente nas copas, surge a possibilidade de explorar estruturas mais altas sem aumentar os riscos para trabalhadores.

Essa é uma mudança que dialoga diretamente com outra transformação silenciosa no setor: a mecanização crescente das atividades agrícolas.

A produtividade ajuda a explicar o interesse dos produtores

Segundo informações apresentadas pela Dal Tecnologia, cada drone consegue colher aproximadamente uma fruta a cada 12 segundos. Quando o sistema opera com seis drones simultaneamente, a taxa combinada chega a uma fruta a cada dois segundos.

Outro diferencial é a possibilidade de funcionamento contínuo, inclusive durante a noite.

Enquanto isso, o sistema gera informações detalhadas sobre a produção. Os robôs registram dados sobre quantidade colhida, tamanho dos frutos, estágio de maturação e até possíveis sinais de problemas fitossanitários.

Esse volume de dados reforça uma tendência observada em várias áreas do agro: o uso de inteligência artificial para transformar máquinas em fontes permanentes de informação.

A citricultura brasileira vive um momento de pressão

A chegada dessa tecnologia acontece em um período especialmente importante para o setor.

O cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais continua sendo uma das maiores regiões produtoras de laranja do planeta. Porém, eventos climáticos extremos, ondas de calor e desafios fitossanitários têm pressionado a atividade nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, projetos como o Harvest+, apoiado pelo Fundecitrus e por empresas do setor, vêm buscando alternativas para mecanizar parcial ou totalmente a colheita da laranja, algo que historicamente sempre dependeu quase exclusivamente de trabalho manual.

Robôs aerobóticos que colhem laranjas já estão em testes no Brasil

Nesse cenário, tecnologias como os drones da Tevel deixam de parecer apenas demonstrações futuristas e passam a ser vistas como ferramentas concretas para aumentar eficiência, reduzir gargalos e enfrentar a escassez de trabalhadores rurais.

Além disso, a evolução desses sistemas acompanha movimentos maiores ligados à agricultura de precisão, ao avanço dos sensores inteligentes e à crescente adoção de robôs autônomos no campo.

Uma cena que parecia ficção científica já está acontecendo

Poucas imagens resumem tão bem a transformação atual do agronegócio quanto a de pequenos robôs voando entre laranjeiras, escolhendo individualmente quais frutos colher.

O que começou como uma solução para pomares de maçã na Europa agora encontra espaço na maior potência mundial da citricultura. E talvez o aspecto mais interessante dessa história seja justamente o fato de que a tecnologia não está substituindo completamente as pessoas, mas assumindo tarefas que se tornaram difíceis, perigosas ou cada vez mais escassas.

A colheita da laranja, uma atividade tradicionalmente associada ao esforço humano, está começando a ganhar asas.


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