Regeneração Extrema Lesma-do-Mar O Segredo da Sobrevivência Pura
Imagine uma criatura que deliberadamente se separa de 80% do corpo, incluindo coração e órgãos vitais, e sobrevive. Não é ficção, mas a realidade da lesma-do-mar sacoglossa (Elysia cf. marginata e E. atroviridis), que exibe um fenômeno de sobrevivência conhecido como regeneração extrema lesma-do-mar. A cabeça isolada rasteja, e em poucas semanas, regenera um corpo totalmente novo e saudável, livre de parasitas. Esse ato radical de autotomia não é apenas uma defesa; é uma estratégia evolutiva brilhante que intriga cientistas em busca de segredos para a medicina regenerativa.
Imagine uma criatura marinha que, ao enfrentar uma ameaça mortal, decide simplesmente se desfazer de 80% de seu corpo, incluindo o coração e os sistemas digestivo e reprodutivo, e ainda assim sobreviver para contar a história. Não é ficção científica, mas uma realidade observada em lesmas-do-mar sacoglossas, como as espécies Elysia cf. marginata e Elysia atroviridis.
Um vídeo recente compartilhado no X (antigo Twitter) pelo perfil @Rainmaker1973, creditado à pesquisadora Sayaka Mitoh, da Universidade de Mulheres de Nara, no Japão, viralizou ao mostrar esse processo impressionante: a cabeça da lesma se separa do corpo, rasteja sozinha e, em poucas semanas, regenera um novo organismo completo. Esse fenômeno, conhecido como autotomia extrema, é um dos exemplos mais radicais de regeneração extrema lesma-do-mar no reino animal, e merece uma exploração mais profunda.
O vídeo, de apenas 30 segundos, captura o momento crucial. Vemos a lesma, com seu corpo verde translúcido salpicado de pontos pretos e antenas laranja vibrantes, contorcendo-se em um ato deliberado de autodesmembramento. A cabeça se desprende, deixando para trás o tronco inerte, e começa a se mover autonomamente. A postagem, de 4 de dezembro de 2025, acumulou milhares de visualizações, likes e comentários espantados, como “Isso é o código que precisamos quebrar para curar tudo!” ou questionamentos sobre como a cabeça obtém energia sem comer. Mas por trás da curiosidade viral, há anos de pesquisa científica que revelam os segredos dessa sobrevivência improvável.
Autotomia é um mecanismo de defesa comum na natureza, onde animais sacrificam partes do corpo para escapar de predadores. Lagartixas largam caudas, estrelas-do-mar se dividem em pedaços, e até caranguejos podem autotomizar uma pinça para se liberar.
No entanto, o que essas lesmas-do-mar fazem vai além: elas abandonam o corpo principal, regenerando tudo a partir da cabeça. Diferente de outros casos, onde o apêndice perdido é o que se reconstrói, aqui a cabeça isolada – sem coração, rins ou sistema digestivo – assume o protagonismo da regeneração extrema lesma-do-mar. Estudos publicados em 2021 na revista Current Biology mostram que, em E. marginata, o coração se regenera em cerca de sete dias, e o corpo inteiro, incluindo órgãos reprodutivos e apêndices alados, em até três semanas.
A lesma resultante é funcional, saudável e, surpreendentemente, livre de parasitas.
O que torna essas lesmas tão especiais? Elas pertencem ao grupo dos sacoglossos, moluscos gastrópodes que praticam “kleptoplastia” – o roubo de cloroplastos de algas que consomem. Esses organelos fotossintetizantes são incorporados às células da lesma, permitindo que ela produza energia solar por meses, como uma planta animal. Sayaka Mitoh, então doutoranda na Universidade de Mulheres de Nara, descobriu isso por acidente em 2017, ao encontrar uma cabeça decepada em seu laboratório, rastejando vigorosamente.
“Pensamos que morreria rapidamente sem coração e outros órgãos importantes, mas ficamos surpresos ao ver que regenerou o corpo inteiro”, relatou ela em entrevistas.
Intrigada, Mitoh e sua orientadora, Yoichi Yusa, replicaram o experimento: de 15 lesmas induzidas a se autotomizar, 11 o fizeram, e quatro regeneraram corpos novos. Em E. atroviridis, o processo foi ainda mais rápido, em apenas sete dias. A regeneração extrema lesma-do-mar só é possível graças a essa capacidade de obter energia de forma autônoma.
Por que uma lesma faria algo tão drástico? A resposta parece estar nos parasitas. Muitos sacoglossos são infestados por copépodes – pequenos crustáceos que se fixam ao corpo e consomem seus tecidos. Ao se desfazer do corpo infectado, a cabeça “limpa” inicia uma regeneração pura, sem os indesejados hóspedes. Os corpos descartados, por sua vez, nunca regeneram cabeças, morrendo como cascas vazias.
A kleptoplastia é crucial aqui: sem ela, a cabeça faminta não sobreviveria ao jejum inicial, provendo o sustento energético para o processo de regeneração extrema lesma-do-mar. “Essa característica única pode facilitar a sobrevivência pós-autotomia”, explicam os autores no estudo.
É uma estratégia evolutiva brilhante, adaptada a um ambiente hostil nos recifes de algas do Pacífico japonês. Para entender mais sobre as complexidades da vida marinha.
As implicações dessa descoberta vão além do oceano. A regeneração em vertebrados é limitada – humanos cicatrizam feridas, mas não reconstróem membros inteiros. Axolotes mexicanos regeneram patas e até partes do cérebro, mas nada se compara à lesma, que reconstrói 80% do corpo sem tecido-tronco dedicado, como em planárias.
Pesquisadores em medicina regenerativa veem nisso um modelo para terapias contra câncer ou lesões medulares. Se pudermos “despertar” genes de regeneração extrema lesma-do-mar em mamíferos, como os que controlam a proliferação celular nessas lesmas, poderíamos tratar amputações ou doenças degenerativas. Mitoh sonha com aplicações em biotecnologia: “É a forma mais extrema de autonomia e regeneração na natureza”, disse ela à Scientific American.
Esse vídeo no X não é só entretenimento; é um lembrete da biodiversidade insondável dos oceanos. Em um mundo onde perdemos espécies a ritmos alarmantes, fenômenos como a regeneração extrema lesma-do-mar nos inspiram a proteger ecossistemas marinhos. A lesma-do-mar, com sua cabeça teimosa rastejando para a vida nova, simboliza resiliência: um ciclo de morte e renascimento que a ciência ainda desvenda.
imagem: IA
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