Para Quem Tem Pressa
Pesquisadores avaliaram o uso de resíduos foliares de plantas leguminosas (Leucaena leucocephala, Gliricidia sepium, Mucuna pruriens e Pueraria phaseoloides) como emenda orgânica para restaurar subsolos degradados pela mineração a céu aberto. Experimentos conduzidos em Gana demonstraram que a biomassa dessas espécies aumenta os estoques de carbono orgânico e nitrogênio no solo, recuperando a capacidade produtiva do substrato e elevando o rendimento de culturas como o milho em até 30 toneladas por hectare de aplicação.
A expansão da mineração a céu aberto em diversas regiões tropicais tem provocado severa degradação da paisagem, desmatamento e perda do solo superficial fértil. Sem a camada superior original, restam apenas subsolos de baixa qualidade, caracterizados por escassez de matéria orgânica, baixos níveis de nutrientes e reduzida atividade microbiana — fatores que inviabilizam o cultivo agrícola e a restauração florestal.
Para contornar os custos elevados e a escassez de solo fértil ou compostos convencionais, cientistas investigaram o potencial de resíduos foliares de leguminosas como uma alternativa local, limpa e renovável. Os resultados do estudo foram publicados no periódico científico Scientific Reports.
Qualidade química dos resíduos vegetais
O experimento avaliou materiais foliares de quatro espécies de leguminosas — Leucaena leucocephala, Gliricidia sepium, Mucuna pruriens e Pueraria phaseoloides —, além de combinações entre elas e do capim Panicum maximum, utilizado como controle não leguminoso.
As análises laboratoriais indicaram que os resíduos de leguminosas apresentaram teores de nitrogênio substancialmente superiores ao do capim controle. A espécie Leucaena leucocephala registrou a maior concentração do elemento, com cerca de 3,47% de nitrogênio em sua composição, contra 1,56% observado no Panicum maximum.
Além disso, as leguminosas exibiram menores teores de lignina e indicadores de qualidade superiores. A Gliricidia sepium destacou-se com o maior Índice de Qualidade de Resíduos Vegetais (PRQI), alcançando a marca de 4,7, enquanto o capim controle obteve pontuação de 2,7.
Impacto nos teores de carbono e nitrogênio do solo
Os ensaios foram conduzidos em vasos durante 12 meses na cidade de Kumasi, em Gana, utilizando subsolo degradado coletado de uma área de mineração abandonada no Distrito de Bosome-Freho. Foram testadas quatro taxas de aplicação da biomassa seca: 0, 10, 20 e 30 toneladas por hectare.
A incorporação dos resíduos foliares promoveu incrementos expressivos na fertilidade do substrato. Devido às concentrações iniciais extremamente baixas do subsolo minerado, o aporte de matéria orgânica gerou aumentos de até 500% nos estoques de carbono orgânico do solo (SOC) e superiores a 800% nos teores de nitrogênio total (TN), com destaque para os tratamentos utilizando Mucuna pruriens e Leucaena leucocephala.
Resposta das culturas e potencial produtivo
Para testar a recuperação da capacidade produtiva do solo, os pesquisadores realizaram um cultivo sequencial envolvendo milho (Zea mays) e feijão-caupi (Vigna unguiculata).
O milho respondeu de forma altamente positiva às emendas orgânicas. O melhor desempenho produtivo foi alcançado com a aplicação de Leucaena leucocephala na dosagem máxima de 30 toneladas por hectare, resultando no acúmulo de aproximadamente 4,2 toneladas por hectare de matéria seca acima do solo.
Os autores destacam que os resíduos de leguminosas se consolidam como uma estratégia viável e sustentável para a recuperação de terrenos minerados. Por se tratar de um estudo em vasos, a equipe aponta a necessidade de futuros ensaios em escala de campo para validar o manejo e os resultados observados em grandes áreas.
Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.
