Produtores devem reter as matrizes para aproveitar alta do preço. Participação de fêmeas nos abates diminuiu para 34%, diz Imea.
O preço do bezerro em Mato Grosso atingiu valores históricos no final deste ano. Em consequência aos abates de matrizes realizados progressivamente desde 2010, quando a crise nas pastagens obrigou os pecuaristas a descartarem as fêmeas, o preço do bezerro de desmama valorizou cerca de 16%, passando de R$ 637 para R$ 737 por cabeça no período de um ano.
De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) o bezerro de até um ano também contou com alta no preço, subindo de R$ 694 para R$ 805 por cabeça entre os meses de novembro deste ano e do ano passado. O analista do Imea, Fábio da Silva, explica que o aumento é resultado dos abates de matrizes realizados nos últimos anos no estado. “Isso fez com que a oferta de bezerros ficasse restrita. Desta forma, os produtores que forem repor o rebanho estão pagando mais caro”.
Conforme ele, com a venda de um boi gordo é possível adquirir 2,17 bezerros desmama atualmente, um ano atrás era possível adquirir 2,35 bezerros desmama. No entanto, o analista destaca que este cenário de preços altos pode gerar uma expectativa de menor descarte de fêmeas no próximo ano. Esse resultado já é observado desde o ínicio do ano, levando em conta que reduziu a participação das fêmeas nos abates realizados no estado.
Para o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, o preço do bezerro atualmente indica uma recuperação. Ele explica que o abate de fêmeas no passado foi resultado da falta de atratividade no preço do bezerro, que é considerado moeda da pecuária. “Se o preço do bezerro está valorizando, consequentemente estará a arroba do boi”, pontua. Ele acredita também que a renda gerada pode incentivar os produtores a reterem as matrizes.
De acordo com informações do Imea, em outubro deste ano 493,3 mil cabeças foram abatidas em Mato Grosso, sendo 34% fêmeas – a menos participação do ano. Em março deste ano foi registrado o maior índice, tendo participação das fêmeas em 56% dos abates.
Fonte: Vivian Lessa- Do G1 MT – (Foto: Reprodução / TV Integração)
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