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Cafeicultores do sul de MG acumulam dívidas

Pequenos agricultores estão preocupados com os preços do café arábica. Valor baixo da saca não acompanha os custos de produção.

 

Paulo Teixeira até que tentou segurar algumas sacas de café arábica à espera de preços melhores, mas como precisava pagar pelo menos parte das despesas da lavoura que tem em Cabo Verde, sul de Minas Gerais, teve que negociar 85% da produção por valores muito baixos, em média, R$ 235. Ele conta que agora só restaram 13 sacas e a dívida com financiamentos e empréstimos já chega a R$ 18 mil.

Do início do ano até agora, a saca do café arábica sofreu uma desvalorização de 25% na região. Já na comparação entre outubro de 2012 e o período atual, a queda passa de 30%. Há um ano, a saca valia R$ 364, hoje está valendo R$ 245.

Antônio Mário precisou cortar despesas em casa e na lavoura. Toda a produção de 300 sacas já foi vendida por, no máximo, R$ 246 cada, valor que, segundo ele, não cobre os custos. A dívida acumulada pelo produtor nos últimos dois anos chega a R$ 60 mil.

A situação reflete também na cidade. Em um município como Cabo Verde, em que a economia gira em torno da cafeicultura, mesmo quem não trabalha diretamente com a atividade, sente os efeitos da crise no setor.
É o caso do Marcelo Gonçalves, dono de um supermercado. Ele percebeu que este mês as vendas caíram 25% em relação a outubro do ano passado.

De acordo com o presidente da Cooxupé, Carlos Paulino, cooperativa que reúne 11,5 mil produtores, sobrou muito café da safra passada e a boa produção nacional estimada pela Conab em 47 milhões de sacas este ano ajudam a explicar o baixo preço da saca. Para ele, é preciso que o governo tome pelo menos duas providências urgentes para ajudar os produtores. “Primeiro o estudo da dívida e a prorrogação de acordo com a capacidade de pagamento do produtor e um subsídio para que seja viabilizado a comercialização do café e o produtor não saia tão prejudicado como está sendo agora”, diz.

A inadimplência no comércio de Cabo Verde também aumentou entre 8 e 10% nos últimos meses.

Em Brasília, o Ministério da Agricultura informa que está estudando medidas para ajudar a amenizar a crise na cafeicultura. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA, que representa o setor produtivo, pede a suspensão das dívidas de financiamentos que começaram a vencer em outubro pelo prazo de 90 dias, tempo necessário para levantar o tamanho do endividamento e definir outras medidas para o setor.

Segundo o Ministério da Agricultura, as medidas para a cafeicultura serão analisadas também pelo Ministério da Fazenda.

 

 

Fonte: Globo Rural

Janielly Santos

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