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Cafeicultor poda 1/3 da lavoura para reduzir custo

Medidas são adotadas enquanto apoio do governo demora a chegar.

 

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“Cafezal caro é cafezal que produz pouco”, diz Diogo Macedo, que vai podar 33% da lavoura, em São Sebastião da Grama, São Paulo.

Enquanto buscam ter acesso aos recursos disponibilizados pelo governo, cafeicultores tentam diminuir os custos, mas a conta não fecha. Na fazenda Recreio, propriedade de 230 hectares de café de montanha em São Sebastião da Grama (SP), o agrônomo Diogo Dias Teixeira de Macedo vai podar 33% da lavoura. Não haverá produção na área no ano que vem.

 

“É uma maneira de baratear a colheita. O mais caro é o cafezal que produz pouco, porque você tem que pagar um valor mais alto na medida de café para o trabalhador”, explica. A propriedade fica com 150 funcionários durante a colheita, três vezes mais que no restante do ano.

 

Apesar das circunstâncias, a fazenda Recreio está em uma condição melhor que a maioria das que vivem da cafeicultura. É maior, mais estruturada, tem clientes no exterior, nível de qualidade melhor na produção e consegue comercializar cerca de 40% do grão por um preço acima da média do mercado. Já os pequenos ficam patinando.

 

É o caso de Sebastião Carlos do Nascimento, que junto com três irmãos e um sobrinho, toca uma área de 22 hectares de café. “A gente sobrevive, mas não consegue fazer nada. Nossa cidade ficou no café e por causa do clima, topografia e falta de água. Não temos opção para migrar”, diz. Em sua propriedade, 80% da colheita é manual, só 20% é colhido com derriçadeiras.

 

A família toca a lavoura durante o ano e contrata cerca de seis funcionários na época da colheita. Mas a falta de retorno financeiro levou os irmãos a tomarem uma decisão: “Estamos preparando uma área plana e vamos fazer 100% mecanizado e abandonar a cafeicultura de montanha”, diz Nascimento.

 

A mecanização é uma das formas de reduzir gastos com mão-de-obra, os de maior peso na planilha de custos. Estatísticas da Conab das últimas cinco safras de café em São Sebastião do Paraíso (MG) mostram que os fatores que mais contribuem para os custos são: mão de obra, fertilizantes, operação com máquinas e defensivos.

 

“Tem lugar que você chega na praça e está tendo um leilão para ver quem vai pagar mais e ficar com os trabalhadores”, diz o gerente de custos de produção da Conab, Asdrúbal Jacobina, que recomenda a união dos cafeicultores para evitar este tipo de imbróglio que eleva ainda mais o custo de produção.

 

“Este ano, o leilão não está acontecendo porque o preço do café está baixo e os cafeicultores não têm como pagar”, diz Florêncio de Aguiar Filho, advogado do Sindicato Rural de São Sebastião da Grama (SP), município que tem na cafeicultura uma das suas principais atividades econômicas.

 

De acordo com a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), a maior do segmento no mundo, em uma lavoura com produtividade média de 30 sacas por hectare, o custo por saca sai R$ 116 no sistema manual, R$ 87 com as derriçadeiras mecânicas e R$ 40 no modelo totalmente mecanizado, com colhedoras de café. Considerando a colheita manual como 100%, a economia no mecanizado é de 65% e no semi mecanizado de 25%.

 

Mesmo em fazendas mecanizadas, a mão de obra é o fator principal, segundo a Cooxupé. Nesse caso, os trabalhadores temporários representam 17% e a mão de obra fixa 14%, uma participação total de 31%.

 

“Os gastos diminuem, mas não tanto porque a mão de obra especializada, de tratoristas, por exemplo, é mais cara”, explica Marcelo Henrique Palmieri da Silva, agrônomo da Cooxupé.

 

Fonte: Texto: Livia Andrade, de S. Sebastião da Grama (SP) – Edição: Raphael Salomão – (Foto: Rogério Albuquerque/Ed. Globo)

Janielly Santos

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