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Criadores de avestruz tentam recuperar o prejuízo

Criação de avestruz virou mania em várias regiões do Brasil na década de 90. Havia a promessa de lucro rápido e fácil que, no final, não se concretizou.

Na propriedade de 33 hectares da família de Luciana Pandin, em Neves Paulista, noroeste de São Paulo, as áreas onde os avestruzes ficavam estão vazias e com mato alto. Bem diferente do fim da década de 90, quando a veterinária e os tios decidiram investir na criação de avestruz.

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Luciana mantinha no sítio uma incubadora, um berçário e uma maternidade. Por ano, em média, nasciam 200 filhotes que eram vendidos como matrizes. A fazenda era uma das poucas na época que tinha autorização do Ministério da Agricultura para criar avestruz.

O grande objetivo do aumento na criação era justamente o mercado da carne. Em 2005 veio a crise, que se intensificou nos anos seguintes. Luciana viu a receita cair drasticamente e acabou saindo do negócio. Ela conta que os criadores foram prejudicados pela falência da empresa Avestruz Master, que prometia um lucro alto e rápido. Muita gente investiu em ações e, quando a empresa quebrou, em 2006, houve uma enxurrada de aves no mercado. Não houve demanda, o preço caiu, e todos quebraram junto.

O Globo Rural acompanhou a falência da Avestruz Master. A empresa tinha sede em Goiânia e chegou a ter 40 fazendas e cerca de 50 mil investidores em várias partes do Brasil. Na época, foram mostrados criadores falidos e preocupados com as aves. Sem ração, muitos animais passaram fome e até morreram.

A Associação dos Criadores de Avestruz do Brasil ainda existe, mas com poucos produtores.

É de plumas, penas e couro de avestruz e de outros animais exóticos que vive o presidente da associação. Ele ainda tem animais, mas foi investindo nesse nicho de mercado que conseguiu se manter no negócio.

Stefano Volpi montou uma fábrica, em Santo André. Lá as plumas são lavadas, tingidas e saem prontas para a indústria de espanadores e empresas de decoração e carnaval. A produção no país, que em 2005 chegou a 400 mil avestruzes por ano, hoje não passa de 20 mil. “No auge a associação teve 1200 cadastrados. Hoje podemos falar que em atividade são dois grandes criadores”, diz Stefano.

Um desses criadores é o Neuler Peçanha, que tem parte da produção em 17 hectares de uma fazenda em Avaré. Há dez anos na atividade, venceu pela persistência. “Era muito mais fácil sair. Então nós resolvemos ir contra a manada. Todo mundo saindo e nós resolvemos entrar e acreditamos que era algo a longo prazo. Não era plantar grama. Era plantar carvalho. Então a gente precisa de um certo tempo. Tem que estar sempre estudando e mudando. Não existe um manual.”

Um dos segredos foi apostar na criação em grande escala e se preparar para isso. Até o fim de 2013, a produção dele deve chegar a quase dois mil animais. A média mensal de abates é de 120 aves. Na propriedade mesmo os ovos ficam na incubadora até o nascimento dos filhotes.

“Outra linha que era importante era entender que a gente precisava cuidar do subproduto do avestruz. Não só criá-lo, mas dar destino ao couro, à carne, às plumas. E se a gente não fizesse esse trabalho, a rentabilidade que ele pode dar é muito pequena”, conta Neuler.

O couro vai para a indústria de bolsas e sapatos. Plumas e cascas de ovos decorativas também são fonte de renda. Produzindo dessa forma, Neuler consegue 30% de lucro sobre o custo de cada avestruz.

 

Fonte: Globo Rural

Janielly Santos

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