Categories: Notícia

Pesquisas sobre resíduos de dendê

Nanofibras de celulose podem ser extraídas de resíduos de dendê.

 

Publicidade

Pesquisa liderada pela Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) conseguiu purificar a celulose de cachos vazios de palma-de-óleo, conhecida popularmente como dendê. Além disso, os cientistas extraíram nanofibras de celulose desse material. A expectativa é que os resultados obtidos contribuam para o desenvolvimento de aplicações com maior valor agregado para os resíduos da produção de óleo de dendê.

 

Atualmente, as indústrias obtêm celulose principalmente de florestas plantadas e utilizam esta celulose para a produção de papel. O material obtido nos laboratórios da Embrapa Agroenergia, contudo, pode ter outras aplicações. As nanofibras estão sendo caracterizadas por diversas técnicas instrumentais e, após essa etapa, serão testadas como reforço da borracha natural. A ideia é obter um material que possa ser incorporado à borracha sem comprometer as propriedades da mesma.

 

O pesquisador da Embrapa Agroenergia, Leonardo Valadares, que coordena a pesquisa, explica que nanopartículas possuem propriedades diferenciadas que permitem gerar materiais únicos. “Novas tecnologias podem ser geradas para, por exemplo, substituir derivados de petróleo”, comenta. O projeto de pesquisa com os cachos vazios de dendê integra a Rede AgroNano, programa de nanotecnologia coordenado pela Embrapa Instrumentação (São Carlos/SP).  A rede já estudou a preparação de nanocompósitos formados por borracha natural e fibra de algodão.

 

A palma-de-óleo é uma das mais importantes fontes de óleo vegetal no mundo. Há grande expectativa pelo aumento da produção de dendê no Brasil, principalmente para fornecer matéria-prima às usinas de biodiesel, no contexto do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. O zoneamento agroecológico da cultura realizado pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura Paecuária e Abastecimento aponta que no País há cerca de 30 milhões de hectares de terras apropriadas para o plantio de dendê, sem comprometer de áreas de proteção ambiental.

 

A expansão da área plantada, contudo, acarretaria o aumento do volume de resíduos gerados. Para cada quilo de óleo de dendê obtido, sobram cerca de 1,1 quilos de cachos vazios. Atualmente, eles são devolvidos aos campos para a fertilização da plantação. No entanto, o aproveitamento da celulose contida nesse material pode gerar produtos de alto valor agregado.

 

As nanofibras de celulose dos cachos de dendê foram obtidas em escala de bancada. Um dos desafios da pesquisa agora é aumentar a escala de produção. Além da Embrapa Agroenergia e da Embrapa Instrumentação, participam do projeto a Embrapa Cerrados e a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, ambas em Brasília/DF.

 

Fonte: Embrapa Agroenergia.

Equipe Agron

Published by
Equipe Agron

Recent Posts

Calor Extremo: O alerta da ONU que ameaça a comida no seu prato

O calor extremo está levando o agro ao limite. Relatório da ONU revela perdas bilionárias…

8 horas ago

El Niño Godzilla: O fenômeno extremo que pode mudar tudo

O El Niño Godzilla ameaça a safra brasileira com secas severas e inundações. Entenda como…

8 horas ago

Coruja-buraqueira foge do padrão das outras corujas: 4 hábitos curiosos que explicam seu comportamento diurno

Coruja-buraqueira surge em cenários inesperados durante o dia, contrariando o comportamento típico associado às corujas.…

11 horas ago

Estreito de Ormuz: O gargalo logístico que trava o agro mundial

O bloqueio do Estreito de Ormuz dispara preços de fertilizantes e ameaça a safra 2026/27.…

11 horas ago

Teiú surpreende pelo que faz ao amanhecer: 5 hábitos curiosos que explicam por que ele aparece perto de casas

O teiú é um daqueles animais que parecem surgir do nada ao amanhecer, especialmente em…

12 horas ago

O agronegócio de R$ 16 bilhões da Ceagesp

A Ceagesp movimenta R$ 16 bilhões anuais e 3 milhões de toneladas de alimentos. Descubra…

12 horas ago

This website uses cookies.