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Brasil estreita cooperação com a Coreia

Brasil estreita cooperação com a Coreia para aumentar a produção de cogumelos no país

Consultor coreano ficará na Embrapa por um mês para treinar pesquisadores e técnicos em novas metodologias de cultivo desses fungos.

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Brasília, 18 de julho de 2013 – O pesquisador coreano, Kyung Soo Kim, está na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 47 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, desde o dia 16 de julho, onde ficará por um mês com o objetivo de treinar pesquisadores e técnicos da Unidade em métodos coreanos de cultivo de cogumelos comestíveis. A vinda do pesquisador é resultado de uma cooperação entre a Embrapa e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coréia (RDA, sigla em inglês), mais especificamente através do KOPIA (Korean Project of International Agriculture), mantido pela RDA em todos os continentes para facilitar a difusão de tecnologias agrícolas adequadas às diferentes regiões.

            Kim trabalhou como pesquisador e melhorista de cogumelos na RDA durante 10 anos. Em 1999, se aposentou e abriu seu próprio instituto de pesquisa de cogumelos: o Nongmim Mushroom Research Institute, na cidade de Ansung, na Coreia do Sul, localizada a cerca de uma hora da capital Seul. Hoje, o instituto conta com 10 empregados e tem como foco a produção de sementes e o melhoramento genético de cogumelos comestíveis. Além disso, é também professor na Universidade Coreana de Agronomia e Pesca.

            Na Coreia e em outros países orientais, os cogumelos fazem parte da alimentação tradicional de suas populações. A Ásia responde por mais de 60% da produção mundial de cogumelos, que é de aproximadamente 7,4 milhões de toneladas. É seguida pela Europa (23,4%), Américas (5,8%), Oceania (0,7%) e África (0,2%). A Coreia é responsável por uma produção anual de cerca de 26 mil toneladas e o consumo chega a 8 quilos por habitante.

            No Brasil, o consumo desses fungos – cerca de 160 gramas por habitante – ainda é muito baixo quando comparado com outros países ocidentais, como por exemplo, a França aonde o consumo chega a 2 kg por habitante, a Itália, 1,3 kg, e a Alemanha, 4 kg. 

            “O que é uma pena”, como explica a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Arailde Urben, já que os cogumelos são alimentos muito nutritivos – com quantidade de proteínas quase equivalente a da carne e acima de alguns vegetais e frutas, ricos em vitaminas e carboidratos, e com baixo teor de gordura.  

            O alto preço desses alimentos no mercado – cerca de R$ 10,00 a bandeja – é o que os mantêm distantes da mesa da maior parte da população Brasiléia. E a melhor maneira para mudar esse panorama é aumentar a produção e divulgar os seus benefícios.

 

Treinamento na China: primeiro passo

 

            A Embrapa vem fazendo a sua parte. Em 1995, a pesquisadora Arailde Urben adaptou da China para o Brasil a tecnologia chinesa Jun-Cao, capaz de baratear o cultivo de cogumelos comestíveis porque utiliza substrato de capim junto com outros nutrientes, ao invés dos meios de cultivo tradicionalmente utilizados no Brasil, que usam serragem e troncos de madeira, para produzir os cogumelos.

            De lá pra cá, a Empresa promoveu 44 cursos para capacitar produtores desses fungos em todo o país no uso dessa tecnologia.

 

Parceria com a Coreia: mais um passo rumo ao aumento da produção e consumo de cogumelos no Brasil

 

            A parceria com a Coreia é mais um passo para aumentar e diversificar as formas utilizadas para cultivo de cogumelos comestíveis no Brasil. Segundo Arailde, a técnica em uso na Embrapa hoje utiliza sacos plásticos para o cultivo dos fungos. Já no método coreano, foco da consultoria de Kim, o cultivo é feito em recipientes de vidro, o que representa uma possibilidade de reduzir ainda mais os custos de produção, já que os sacos plásticos são descartados, ao passo que os vidros podem ser reutilizados.

            Arailde explica que a presença do consultor coreano na Unidade será fundamental para aperfeiçoar essa metodologia de cultivo, especialmente com duas espécies de cogumelos de interesse alimentar e medicinal: Pleurotus ostreatus (cogumelo ostra) e Ganoderma lucidum (cogumelo rei).

            A técnica coreana também está sendo repassada aos produtores brasileiros a partir dos cursos promovidos pela Embrapa. “Com isso, damos mais um passo para aumentar a produção e industrialização dos cogumelos no país, além de popularizar os seus benefícios junto à população brasileira”, destaca a pesquisadora.

Fernanda Diniz

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Tags: lucas lucco

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