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Etanol hidratado perde espaço para o anidro

A produção do etanol hidratado, que é uma alternativa para abastecimento de veículos flex fuel, neste ano perderá espaço para o combustível anidro, que é misturado à gasolina. O aumento na mistura de 20% para 25% a partir de 1º de maio e a perspectiva de exportação levaram as indústrias a aumentar a produção do anidro. O primeiro levantamento de safra feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para o crescimento de 1,5 bilhão de litros (15,3%) na produção de anidro, enquanto a oferta de hidratado deve subir 613,7 milhões de litros (4,4%).

Pelas projeções da Conab, a produção total de etanol deve aumentar em 2,125 bilhões de litros (+8,9%) e atingir 25,766 bilhões de litros, com oferta de 11,364 bilhões de litros de anidro e 14,401 bilhões de litros de hidratado. A participação do hidratado no total caiu de 58,3% para 55,9%. Ao ser questionado sobre a possível redução na oferta de hidratado e desestímulo à produção de carros flex, em função da baixa rentabilidade provocada pelo atrelamento do preço do etanol ao da gasolina, o diretor do departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia, do Ministério da Agricultura, Cid Caldas, afirmou que as medidas que estão sendo elaboradas pelo governo irão garantir a competitividade do setor sucroalcooleiro.

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Na opinião de Cid Caldas, principalmente a desoneração dos impostos federais vai aumentar a rentabilidade do etanol hidratado para as indústrias. Ele observa que a estimativa divulgada nesta terça-feira pela Conab mostrou aumento de 2 bilhões de litros na produção de etanol, o que exigirá apoio do governo federal para garantir às indústrias financiamento para estocagem do combustível. Ele lembra que nesta safra o governo disponibilizou recursos que não foram utilizados porque não houve demanda, mas a linha de crédito será renovada no próximo plano de safra e serão programados entre R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões.

Ao destacar o apoio do governo ao setor sucroalcooleiro, Cid Caldas comenta que o crescimento de 11% na produção de cana-de-açúcar, para 653,8 milhões de toneladas, reflete principalmente o aumento da produtividade decorrente dos financiamentos da ordem de R$ 4 bilhões destinados à recuperação dos canaviais. Os recursos devem proporcionar a renovação de 1,5 milhão de hectares, área que deve se repetir na próxima safra, diz ele.

Cid Caldas aposta na retomada dos investimentos no setor. \’Acredito que as consolidações já ocorreram e agora estamos na fase de crescimento. As medidas anunciadas pelo governo são suficientes, mas os investimentos dependem do investidor, que tem que acreditar no setor, que tem perspectivas bastante animadoras\’, afirma.

 

Fonte: Conab

Janielly Santos

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