O segmento da cria, historicamente o elo menos lucrativo da cadeia da pecuária de corte, terá de ser revitalizado, sob pena de, dentro de alguns anos, a atividade sofrer uma espécie de “apagão”. O alerta foi lançado por especialistas durante o Encontro de Analistas promovido pela Scot Consultoria, de Bebedouro, SP, realizado em novembro em São Paulo. Um dos indicadores dessa escassez foi o elevado ágio do valor do bezerro em relação à arroba do boi gordo, que em algumas regiões beirou os 40%. A situação é uma ameaça para o crescimento da pecuária bovina brasileira.
Fábio Dias, diretor comercial da Agropecuária Santa Bárbara, de Xinguara, no Pará, usou o termo e foi acompanhado por outros integrantes da mesa, que debateram o tema “Boi gordo e reposição”, o primeiro do evento, que teve como moderador o próprio Alcides “Scot”, sócio proprietário da consultoria.
“Faltou bezerro em 2012 e continuará faltando se o Brasil tiver de aumentar sua capacidade de abate. Será preciso uma revalorização do segmento da cria”, vaticinou o diretor da Santa Bárbara. “No sudeste do Pará, na região de Carajás, onde a pecuária é extremamente produtiva, com um segmento de cria eficiente, a concorrência da agricultura sobre áreas de pecuária já começa a incomodar”, diz ele.
Leandro Bovo, da Corretora Hedging Griffo, que opera contratos de boi gordo na Bolsa de Mercadorias e Futuros, acrescenta que essa pressão não tem mais como válvula de escape para o pecuarista a abertura de novas áreas, como historicamente aconteceu até poucos anos atrás, quando começou a se intensificar a pressão política contra o desmatamento, que tinha na pecuária um de seus personagens principais. “Antes, o bezerro era um subproduto da abertura de novas áreas. Isso acabou. A pecuária de cria terá de ser lucrativa, será peça-chave no negócio da carne, que terá de passar por um rearranjo”, imagina Bovo.
Para Gustavo Aguiar, analista da Scot, independentemente de como esse rearranjo vá ocorrer, será preciso tornar a pecuária mais eficiente, do ponto de vista de controle gerencial e financeiro, o que não ocorre hoje. “O pecuarista não sabe qual é o seu custo de produção; não sabe quantas arrobas precisa para produzir um bezerro ou um boi gordo, ao contrário da agricultura de grãos, principalmente, que tem isso plenamente dominado”, comparou. Para ele, essa deficiência é um sério obstáculo à aplicação de tecnologia por parte desse segmento, que só terá a produtividade como aliada para aumentar a produção.
Já para Luciano Vacari, superintendente técnico da Acrimat – associação de criadores do Mato Grosso, que reúne cerca de 3.000 pecuaristas, o problema não é só gerencial; é de renda. “Adotar um pacote tecnológico, como a IATF, por exemplo, custa dinheiro. E se o criador não for bem remunerado, não conseguirá implementar as tecnologias necessárias. É preciso que o criador deixe de ser o que ganha menos sempre e passe a ser mais valorizado”, preconizou o representante da Acrimat.
Coube a Fabiano Tito Rosa, gerente de operações com o mercado do Frigorífico Minerva, fazer o contraponto à argumentação de que o segmento da cria não é bem remunerado, ao afirmar que nos últimos anos o bezerro foi a categoria que mais se valorizou no mercado pecuário, justamente por estar na crista da onda do ciclo de baixa oferta (ou de alta de preços) da pecuária, iniciado em 2007. “O problema da cria é que ela tem limitações físicas e não tem acompanhado a revolução de técnicas que temos visto aplicadas aos outros dois segmentos, de recria e engorda”,disse.
O debate, e outros números apontando a crise no segmento de cria estão na edição impressa de DBO
Fonte: Revista DBO por Moacir José
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