Categories: Notícia

Qualidade do couro brasileiro melhorou

Com exportações de US$ 2,071 bilhões – alta de 1,6% sobre 2011, o segmento do couro contribuiu com 10,5% do superávit da balança comercial do País no ano passado, apontam dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). Para 2013, a expectativa é de que haja um aumento de 3% a 5% nos embarques da atividade, que movimenta um PIB de US$ 3,2 bilhões e emprega aproximadamente 50 mil pessoas.

Um dos motivos para o avanço do setor é a evolução na qualidade da matéria-prima que vem da fazenda. Segundo empresários, dirigentes de associações e autoridades de importantes polos calçadistas, que participam até hoje (17) da Couromodas em São Paulo (SP), as melhorias implementadas pelos pecuaristas no trato com os animais contribuíram para o ganho de qualidade do couro brasileiro nos últimos anos.

Publicidade

“O sapato bom começa na fazenda”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia, Trabalho e Turismo de Novo Hamburgo, Carlos Finck. O município gaúcho, localizado na região do Vale dos Sinos, tem o setor coureiro-calçadista como uma de suas principais atividades, movimentado cerca de 90% da economia local. “Novo Hamburgo vai bem se o agronegócio do couro também vai bem, caso contrário não”, assinala o secretário.

Segundo Finck, da maneira geral, a gradativa troca do arame farpado pelo fio liso nas propriedades rurais foi uma medida que contribuiu para melhorar a qualidade do couro. “O rebanho hoje está mais preservado”, diz Edson Ribeiro, supervisor comercial da calçados Di Pollini da capital paulista. A marcação do gado em áreas que não comprometem a parte nobre do couro; a identificação por brincos; o controle de parasitas como carrapato, berne, mosca-de-chifre; o cuidado com o pasto, entre outras medidas também colaboraram para o aumento da qualidade do couro brasileiro, desde sua origem nas fazendas.

Para Flávio Ferrari, proprietário da Goyazes, fabricante de botas e calçados no estilo country, de Goiânia (GO), os próprios investimentos – genética, nutrição e sanidade – que os pecuaristas fizeram para melhorar a qualidade da carne brasileira resultaram num couro melhor. De acordo com Wilson Júnior, diretor comercial da Perlatto Calçados de Franca (SP) – outro importante polo coureiro-calçadista -, a oferta de matéria-prima de qualidade, com menos arranhões, furos, cortes, aumentou. Além disso, explica, com um couro já vindo melhor desde o campo, o processo de beneficiamento para correções no produto feito nos curtumes fica menor, o que também gera redução de custos na cadeia produtiva.

Marcelo Paula, supervisor da área de desenvolvimento de produtos da Rafarillo Calçados, também de Franca, destaca que se a matéria-prima já é originalmente boa, o sapato, por exemplo, fica mais macio e confortável. “Com muitos processos industriais e interferências químicas – entre os quais, amaciamento, pigmentação, tingimento -, esclarece Marcelo, o couro fica mais duro. “E o couro natural é cada vez mais valorizado.” Segundo dados do sindicato local, o setor calçadista de Franca e região congrega aproximadamente mil empresas.

Mário Frassati, diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Artefatos de Couro e Artigos de Viagem (Abiacav), acentua que o couro brasileiro é bom. “A gente sabe fazer bem.” No entanto, o dirigente ressalva que, ainda, não enxerga um estímulo financeiro direto para que a oferta de matéria-prima de qualidade cresça. Na opinião de Frassati, faltam incentivos ao pecuarista. Pelo lado da indústria, diz ele, o maior problema é a concorrência com os produtos importados, principalmente da China. “Este é principal desafio para o setor em 2013.”

 

 

Fonte: Sou Agro

Equipe Agron

Published by
Equipe Agron

Recent Posts

Cegonhas-brancas: o segredo do vilarejo repleto delas

O artigo aborda a convivência harmoniosa entre os moradores do vilarejo de Surenavan, na Armênia,…

3 minutos ago

Dispositivo para abrir portas criado por jovem gera polêmica

O artigo analisa o impacto e a polêmica em torno de um novo dispositivo voltado…

3 minutos ago

Bactérias intestinais ativam esclerose múltipla em gêmeos

O artigo aborda uma descoberta científica que aponta bactérias intestinais específicas como gatilhos para a…

3 minutos ago

Coçador automático de gado reduz custo e estresse no pasto

Coçador automático de gado surge como uma alternativa inovadora para otimizar o manejo sanitário nas…

3 minutos ago

Medidor de pasto reduz custos e evita prejuízos na fazenda

O medidor de pasto é uma ferramenta indispensável para o pecuarista moderno que deseja abandonar…

9 minutos ago

Robô brasileiro transforma a colheita mecanizada do açaí

A colheita mecanizada do açaí impulsiona a produtividade e protege os trabalhadores na Amazônia. Desenvolvida…

12 minutos ago

This website uses cookies.