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Criadores de Quixadá alimentam gado com mandacaru

Com a falta de chuvas, os criadores não conseguem mais produzir alimento para seus animais. A forragem é cara, e uma das alternativas é usar pedaços de mandacaru sem espinhos.

 

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O agricultor Maurício Pessoa espeta uma posta de mandacaru e a mergulha num fogareiro construído à beira da cerca que separa seu terreno do caminho. Depois que os espinhos derretem, ele leva o braço da planta para ser moído numa máquina: é o alimento de suas 36 cabras e 18 cabeças de gado. Ele mora na fazenda Exu, distrito de Tapuiaré, a quinze quilômetros de Quixadá; até lá só se chega através de uma estrada coalhada de juremas esturricadas.

 

Pessoa já perdeu nove cabras e quatro vacas por causa da seca. A carcaça de uma delas, inclusive, ainda apodrece a alguns metros atrás da casa onde ele vive com a família – a esposa e um filho de nove anos. “Em maio a gente deu o resto de cilo e forragem que tinha”, diz. Os dois poços construídos por ele para armazenar comida para as rezes estão vazios atualmente.

 

O capim, sorgo, cana-da-índia, que plantava e poderia servir de comida para os bichos, não vingaram por falta de chuva. Recebeu os mandacarus que serão alimento de uma doação. Comprar forragem é caro. Principalmente pelo transporte. “Sirvo e depois solto para ver se eles encontram mais alguma coisa para comer”, lamenta. Sentado na cadeira da sala, ele explica que tem de dividir água de beber com o gado, porque, fora o deles, o reservatório mais perto e de água salgada fica a dois quilômetros.

 

No perímetro onde em 2011 chegou a colher 40 sacos de milho, cada um com 60 kg, agora é um descampado: as quatro mil raquetes de palma forrageira, doação do governo no início do ano, estão ressecadas. “Eu não penso em desistir fácil. Mas é cruel, é doído. O recurso para a seca só chega na seca. Quando chove, o agricultor é esquecido”, queixa-se.

 

Seca de 1958
O pai dele, o agricultor Antônio Leite, de 77 anos, já morava por ali em 1958, ano de uma das maiores secas por que o Ceará passou. Olhando o filho derreter o espinho do mandacaru, seu Antônio relembra que não havia qualquer apoio governamental naquela época.

 

Os que não partiram de lá para construir as barragens do açude Banabuiú – inaugurado em 1966 – mendigavam na estrada. Ou migravam para as cidades grandes. Ele ficou com o pai. Agora enfrenta nova seca com o filho. Mas dessa vez o carro-pipa vem três dias ao mês para encher os reservatórios.

 

entenda a notícia

A cidade de Quixadá tem sido abastecida por uma adutora que puxa água do açude Pedras Brancas (com 34,38% de sua capacidade). O açude Cedro, o mais famoso, tem apenas 13.31% de seu volume total.

 

 

Fonte: O Povo 

 

Equipe Agron

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