José Roberto de Oliveira é um pequeno produtor de São José de Ubá (RJ) que resolveu plantar maracujá há nove meses. A dedicação e a adoção de tecnologias já estão lhe garantindo uma safra generosa. A propriedade de Oliveira, uma área de meio hectare com 420 pés, deve gerar uma produção de mais de 20 toneladas por hectare e uma renda de pelo menos R$ 35 mil na comercialização do fruto in natura.
A demanda por maracujá brasileiro é enorme: o país produz 85% do maracujá consumido no mundo. ”O maracujá exige cuidados como a escolha correta de mudas, adubação, irrigação, polinização e poda. Mas é uma cultura que dá muito retorno”, afirma o produtor. No Rio de Janeiro, uma das iniciativas responsáveis pelo bom momento do maracujá é o Projeto Inovação Tecnológica para a Cadeia Produtiva do Maracujá no Norte Fluminense (APL-Maracujá), liderado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O projeto tem parcerias com instituições de pesquisa, ensino e extensão, com o objetivo de fomentar a cooperação técnica, a promoção da inovação mais o diálogo permanente para superar os gargalos da cadeia produtiva.
Uma das técnicas que estão sendo testadas e adotadas nas plantações fluminenses é a enxertia de mudas sobre a cultivar de maracujá doce. A prática garante maior sobrevivência da planta em função da resistência aos ataques de doenças do solo. A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro) e a Embrapa, em parceria com produtores, criou quatro unidades demonstrativas no Estado para avaliar os resultados. “Selecionamos estrategicamente locais como Araruama, Bom Jesus de Itabapoana, São José de Ubá e Campos dos Goytacazes para ter uma visão ampla dos resultados nas regiões” explicou o engenheiro agrônomo José Francisco Maldonado, da Pesagro.
Em algumas unidades também está sendo avaliada a adoção da gliricídia como mourão para a sustentação das plantas. A gliricídia é uma leguminosa que fixa nitrogênio no solo e barateia os custos de instalação de novos cultivos. “De forma isolada e sem assistência técnica de qualidade não há como superar os problemas e alavancar a produção de maracujá no Rio de Janeiro”, afirma Sérgio Cenci, líder do projeto e pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos.
O APL-Maracujá também aborda o aproveitamento dos resíduos como casca e semente, que compõem 63% do total da fruta. As cascas produzidas no Rio de Janeiro estão sendo transformadas em uma farinha de textura leve e rica em fibras, que pode entrar na composição de alimentos como shakes e sorvetes. Da semente, é possível extrair um óleo que interessa às indústrias de cosméticos, alimentos e fármacos.
Fonte: Globo Rural on-line
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