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Cultivo de cacau ganha destaque no Pará

Produção total do grão na Bahia ainda é superior, mas Pará possui produtividade por hectare três vezes maior.

 

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O cacau está ligado à identidade da Bahia, que é o Estado líder na produção do grão no país e o cultiva desde o século 18. Em poucos anos, porém, é o Pará que deve ganhar destaque no setor. Nesta safra, a colheita deve ser de 85 mil toneladas. A quantia ainda é menor do que a registrada na Bahia, no entanto, a produtividade por hectare é três vezes maior do que a do Estado baiano.

– As condições climáticas são perfeitas para o cultivo do cacau e poucas culturas têm um perfil tão bom para o nosso clima – aponta o presidente da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu, Francisco Sakaguchi.

O cacauicultor Michinori Konagano planta o grão desde a década de 70, quando a cultura chegou ao Pará. Neste período, o cacau passou por várias fases, incluindo oscilações de preços, pragas, entre outros.

– Houve uma queda de preço na década de 80 para 90. Então nós abandonamos uma parte, quer dizer, não eliminamos, deixamos no abandono. Aí, observamos que o cacau, mesmo abandonado, produz, pouco, mas produz – destacou o agricultor.

Com essa descoberta, Konagano começou a investir na cultura no município de Tomé-Açú, que fica a 200 quilômetros de Belém. A expansão do grão no Pará contou com o apoio do governo do Estado, que nos últimos anos incentiva a produção por meio do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau), instrumento de política agrícola que recolhe uma taxa sobre a comercialização do fruto. Os recursos são destinados à pesquisa e à qualificação da assistência técnica.

– A Ceplac [Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira], em conjunto com o governo do Estado, prefeituras e demais parceiros, vem atuando de forma intensiva no sentido de promover a distribuição de sementes hibridas de qualidade para os produtores e fornecer assistência técnica, o que faz com que a cacauicultura no Pará venha se intensificando e aumentando a produção ao longo dos últimos anos – explica o superintendente da Ceplac, Moises Moreira dos Santos.

Outra vantagem na região é o controle da principal inimiga da cultura cacaueira, a vassoura de bruxa, praga que dizimou muitas plantações na Bahia, onde o cacau é plantado em sistema de monocultivo. Já no Pará, o cultivo tem cultura agroflorestal: em meio à plantação, há também pimenta e açaí, o que cria barreiras naturais contra a doença. O resultado é um fruto livre de pragas e com uma qualidade superior.

O cacau da Cooperativa Mista de Tomé-Açu foi escolhido como um dos 50 melhores do mundo em 2010, no Salão Nacional do Chocolate, em Paris. Um dos motivos da gratificação foi devido ao processo de escolha dos grãos. Depois de fermentar e secar ao sol, as amêndoas são levadas para a cooperativa, onde antes de serem vendidas, passam por uma classificação.

De acordo com o gerente da cooperativa, Augusto Kitajima, o procedimento inclui critérios como a análise de umidade, peso, da qualidade da parte interna da semente, se está bem fermentada e livre de características de insetos. Até o fim do ano, o Pará vai colher 85 mil toneladas, cinco mil a mais do que estava previsto. A produtividade deve chegar a 916 quilos por hectare. Na Bahia, a produção nesta safra deve ser de 140 mil toneladas, com uma produtividade de 310 quilos por hectare.

Os resultados positivos e a ajuda do setor privado e de organizações não governamentais vêm motivando o setor a cumprir as metas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e pela Ceplac.

– Nossa meta é alcançarmos 233 mil toneladas de cacau em 2022. O planejamento da Ceplac e do Ministério é que a Bahia produza 390 mil toneladas em 2022 – aponta o presidente da Ceplac.

Atrair e incentivar culturas que estavam adormecidas ou perdendo espaço em outros Estados parece ser uma meta do governo paraense.

– O governo do Estado, através de diversas secretarias, tem incentivos fiscais, finaceiros e atenção na área fundiária, na questão do licenciamento ambiental. Tudo para fazer a produção sustentável em todos os municípios do Pará, cada um com a sua vocação. Laranja em Capitão Poço, cacau na transamazônica em Tomé-Açú, enfim, nós temos muitas atividades econômicas que estão no começo, mas já podemos ver que deram certo – observa o secretário do Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção do Pará, Sidney Rosa.

 

 

Fonte: Canal Rural 

Equipe Agron

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