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Calor faz indústria dar banho em frangos

Para um frango, o calor acima de 36 graus Celsius é uma sentença de morte. As temperaturas elevadas dos últimos dias estão fazendo a avicultura do Paraná mudar sua rotina. O transporte das aves vem sendo concentrado nas horas menos quentes do dia e à noite, quando os termômetros registram 20º C mesmo nas regiões que estão chegando a 35º C durante a tarde. Além disso, os bichos recebem borrifadas de água nos caminhões, antes da viagem às indústrias. O banho é feito com equipamentos idênticos aos usados para desinfetar caminhões na chegada e na saída das granjas.

 

Nos aviários há mais controle da temperatura, mas o transporte até os frigoríficos depende das condições do tempo, conforme o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar). Na chegada à indústria, os caminhões entram em áreas de espera com ventiladores e nebulizadores, relata o zootecnista Ildeu Canalli, do grupo GTFoods. “O banho ajuda a refrescar a viagem, que é de cerca de uma hora. Na área de espera, é como se o frango voltasse para o aviário”, explica.

 
80 mil frangos morreram de calor no Paraná no mês passado, devido à falta de energia nos sistemas de resfriamento de aviários. Em São Paulo, as mortes chegaram a 500 mil.
O Brasil vem perdendo milhares de aves devido ao calor. A maior parte – cerca de 500 mil – morreu em São Paulo, provocando alta de 25% no preço do ovo. O Sul do país, região que concentra a produção brasileira de frango de corte, registrou perdas que somam 110 mil cabeças, devido a quatro ocorrências de falta de energia para o resfriamento de aviários. Foram 80 mil frangos mortos no Paraná, 20 mil no Rio Grande do Sul e 10 mil em Santa Catarina. Isso tudo no último mês, quando as temperaturas subiram.

 

A temperatura corporal de um frango é de 41º a 42º C – 5 graus a mais que a do ser humano. Cobertas de penas e desprovidas de glândulas de suor, as aves sofrem aquecimento sempre que o ambiente esquenta rapidamente e ultrapassa os 30º C. Dois graus de elevação na temperatura corporal podem levar um frango à morte, explicam os técnicos.

 

Além do transporte noturno e dos banhos nas aves, as indústrias informam estar orientando os avicultores a redobrarem a atenção quanto ao bem-estar animal. Mesmo aviários com sistema automático de fornecimento de água e ração estariam sendo monitorados mais frequentemente.

 

 

Fonte: Gazeta do Povo

Equipe Agron

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