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Embrapa Meio Ambiente realiza missão à Moçambique

Embrapa Meio Ambiente realiza missão à Moçambique

 

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30.10.2012

 

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) realizaram missão à Moçambique no período de 16 de setembro à 5 de outubro, como parte das atividades previstas em Componente do Projeto ProSavana Avaliação dos Impactos Socioambientais do Prosavana no Corredor de Nacala. Nesse período a equipe teve a oportunidade de realizar contatos com parceiros locais do projeto (institutos de pesquisa e universidades) e reconhecimento de campo da área de abrangência dos trabalhos.

 

Participaram da missão os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente Joel Queiroga, Marco Gomes e Ricardo Figueiredo e Pedro Gerhard, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Káthia Sonoda da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) e Flávio Lima da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

A equipe percorreu cerca de 2.800 km ao longo do Corredor de Nacala nas localidades de Nampula, Ribaue, Malema, Gurue, Cuamba, Mandimba, Ngauma, Lichinga, Unango e Luambala. Nesse percurso foram avaliados diversos aspectos ambientais, no que diz respeito a qualidade e uso da água, a biota aquática fluvial, a geologia e os tipos de solos. Ao todo foram percorridas cerca de 60 microbacias.

 

As informações levantadas na expedição estão sendo sistematizadas e integradas, utilizando-se imagens de satélites e servirão de base a seleção de um grupo de microbacias que serão contempladas para os estudos de impacto ambiental sobre as águas fluviais e subterrâneas, decorrentes da expansão das atividades agropecuárias no Corredor, explica Figueiredo.

 

 

Para Gomes, o principal desafio do projeto é a capacitação dos pesquisadores parceiros. “Conseguimos identificar pontos focais e pessoas que ficarão a frente dessas atividades depois dos 4 anos propostos para o projeto”, diz. Para ele, um dos aspectos relevantes e desafiadores para a população do Corredor, após a visão de campo durante esta viagem, é a limitação dos recursos hídricos disponíveis na região, sejam subterrâneos sejam superficiais e como isso pode afetar a vida de todos, principalmente com a possibilidade de entrada da agricultura intensiva que vai demandar por mais água. Acrescenta-se a esse cenário, os aspectos qualitativos da água, uma vez que a agricultura intensiva demandará o uso de agroquímicos. Esse é um dos principais focos do trabalho da equipe da missão.

 

“O projeto prevê avaliações dos aspectos socioeconômicos da população e produção, da flora nativa, entomofauna, de solos, uso de agrotóxicos, percolação, águas subterrâneas e fluviais, correlacionando-os com o uso da terra e cobertura vegetal nas microbacias, as quais possibilitarão a identificação e avaliação de impactos potenciais da expansão das atividades agrícolas naquele Corredor. Ao final, prevê, ainda, a proposição de medidas de incremento de impactos positivos e de mitigação e controle de impactos negativos e a elaboração de mapas que orientem a gestão e ocupação menos impactante das microbacias da área de abrangência do Prosavana”, explica Queiroga.

 

O grupo também identificou que a agricultura familiar predomina. “São famílias que produzem milho, mandioca, feijão, sorgo e diversas hortaliças, principalmente para subsistência e um pouco de algodão e fumo para comércio”, enfatiza Queiroga. “Também vimos algumas áreas com feijão, soja e girassol em larga escala, bem como plantações de pinus, chá, noz macadâmia e pinhão manso, este último para produção de biodiesel”.

 

As atividades ora desenvolvidas representam o “marco zero” na região e visa obter um referencial para futuras análises comparativas. Os próximos passos serão a capacitação dos parceiros selecionados – alguns deles também serão treinados em metodologias de laboratório e campo, para execução de monitoramentos constantes ao longo do tempo, para priorização de medidas de mitigação tanto para o desenvolvimento dos sistemas de produção da agricultura familiar como da agricultura intensiva.

 

O Componente “Avaliação de Impactos Socioambientais do Prosavana no Corredor de Nacala, coordenado por Ladislau Skorupa, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, contempla outros estudos relacionados a vegetação de savana e entomofauna, tem parcerias com o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) e a Japan International Cooperation Agency (Jica).

 

A equipe dessa expedição enfatiza que o apoio local do coordenador geral do Programa Embrapa Moçambique, José Bellini Leite e do pesquisador Henoque Silva foram fundamentais para o cumprimento das agendas com as instituições locais.

 

Cristina Tordin

Jornalista, MTB 28499

Embrapa Meio Ambiente

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Equipe Agron

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