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Pode faltar carne em MT

Mato Grosso, detentor do maior rebanho de bovinos do Brasil, mais de 29 milhões de cabeças e também líder nacional em abates, está na iminência de ficar sem carne para atender ao mercado doméstico e às exportações.

O Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo/MT) avisou na tarde de ontem que a partir de hoje a maior parte das 40 plantas em atividade estará paralisando os abates por falta de animais. A entidade acredita que o desabastecimento poderá ser sentido à mesa já neste final de semana e teme que sem produto possa haver descumprimento de contratos de exportação, penalizando o mercado externo, bem como a imagem do Estado e do país. Ainda como consequências que poderão advir da interrupção, está a imediata pressão baixista sobre a arroba negociada com o produtor e na mesma velocidade, alta sobre o quilo ao consumidor final.

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Como explica o Sindifrigo, a paralisação dos abates decorre da greve dos servidores do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea/MT), retomada na última segunda-feira e que segue agora por tempo indeterminado após flexibilização de algumas semanas à espera de uma resposta do governo do Estado às reivindicações. Desde agosto, a categoria que reclama de falta “absoluta” de condições de trabalho está mobilizada e entre as atribuições dos servidores do órgão está a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para a circulação dos bovinos, como por exemplo, de uma propriedade até o abatedouro. “Sem GTA, a indústria fica engessada para fazer o abate de animais”, alerta o secretário-executivo Sindifrigo/MT, Jovenino Borges. Segundo ele, a partir de hoje as plantas ficam sem matéria-prima para abate e o comércio varejista inicia contagem regressiva para ficar sem o produto nas gôndolas. “O consumidor também pode ir se preparando, pois dentro de três a quatro dias ele terá que substituir a carne bovina por outro produto”, avisa Borges. Em todo o Estado, a indústria frigorífica gera 18 mil empregos diretos e abate cerca de 17 mil cabeças por dia.

Pelo menos 90% das plantas locais exportam carne para o mercado europeu e países da Lista Geral. “Com a paralisação, os contratos com a comunidade internacional deixarão de ser cumpridos e a imagem de Mato Grosso mais uma vez fica arranhada no exterior por inoperância e falta de gestão governamental no momento em que o Estado vive um ótimo momento com o trabalho de sanidade do seu rebanho”, afirma o secretário do Sindifrigo. Para ele, o setor privado não pode ser penalizado por causa da falta de estrutura do Indea/MT. “O governo do Estado precisa abrir os olhos e resolver este problema com urgência para evitar o caos”, adverte. INDEA/MT – A diretora da regional Cuiabá do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Agrícola Agrário e Pecuário do Estado de Mato Grosso (Sintap/MT), Oscarlina de Jesus, deixou claro mais uma vez que a paralisação tem como objetivo a obtenção de condições de trabalho. “Não queremos aumento, queremos condições. Falando na GTA, existem unidades do Indea/MT que nem toner para imprimir a Guia tem. Outras unidades estão na beira do despejo por falta de pagamento de aluguel e mais de 250 carros de uma frota de 280, estão parados e ou quebrados. Como trabalhar assim?”, argumenta.

Em reunião ontem com o governador Silval Barbosa, houve o pronto comprometimento do Estado em resolver o pleito operacional. “Assim que houver o cumprimento, retomamos o trabalho”. Ainda sobre a GTA, Oscarlina explica que o documento tem prazo de validade curto, não podendo ser “estocado”. A Guia é válida por dois ou três dias, conforme a distância a ser percorrida entre o embarque e o desembarque dos animais. “Apesar da recente retomada da greve, algumas unidades do Indea/MT já não estavam emitindo a GTA há algum tempo por falta de material de expediente e por isso acredito que tenha havido esse alerta do Sindifrigo”. PRODUTORES – A paralisação dos servidores, por ter como motivação questões operacionais que também acabam refletindo no agronegócio estadual, tem o apoio da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) e da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat) que estão atuando como interlocutoras entre Indea/MT e o Estado. Por meio de nota, a Acrimat informou ao Diário que até à tarde de ontem não havia sido comunicada oficialmente sobre a greve e nem sobre a interrupção dos abates. “A Acrimat espera que haja entendimentos entre as partes antes que prejuízos sejam causados ao setor”.

Por enquanto a entidade prefere não especular sobre as consequências da baixa demanda das indústrias sobre a arroba bovina. A ameaça pode comprometer o bom momento do segmento em que há menos pressão para se abater fêmeas e alta de 5,81% sobre a receita originada com as exportações de janeiro a setembro deste ano frente igual período do ano passado.

(Jornal Diário de Cuiabá, Economia/MT – 10/10/2012)

Equipe Agron

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