A obtenção do etanol de soro de leite é feita por biorreatores com leveduras do gênero Kluyveromyces, que transformam o material lácteo em biocombustível.
O soro de leite, resultante da produção de queijos, pode ser uma nova fonte de matéria-prima para a produção de etanol igual ao que é feito a partir da cana-de-açúcar. A possibilidade foi demonstrada por uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Ciência e Tencologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
De cada quilo de queijo produzido sobram, em média, nove litros de soro, um líquido esbranquiçado formado por 95% de água, 4% de lactose e 1% de proteína. O soro pode ser aproveitado pela indústria alimentícia na composição de bebidas lácteas e recheios de biscoitos. No entanto, por ser muito poluente, é preciso transformá-lo em pó, o que gera custos altos principalmente para o pequeno produtor. Se não for usado para alimentação, o soro precisa ser tratado como um efluente industrial para não contaminar o meio ambiente ao ser descartado.
De acordo com o professor Marco Antônio Ayub, responsável pelos experimentos, apesar de ainda não haver estudos de viabilidade econômica, a pesquisa abre possibilidades para o uso do líquido, além de sugerir novas alternativas de matéria-prima para a produção do biocombustível. “Estamos tentando fazer parceiras com ouros grupos dessa área e ver se a gente consegue propor às indústrias viabilizarem pelo menos um teste industrial para ver se vale a pena produzir comercialmente”, explica.
Processo
A obtenção do etanol de soro de leite é feita por biorreatores com leveduras do gênero Kluyveromyces, que fazem a transformação do material lácteo em biocombustível. Setenta gramas por litro de lactose é convertido em torno de 35 g por litro de etanol, enquanto são necessários 200 g de litros de açúcar para obter 90 gramas por litro de etanol. Depois, em ambos os processos, os líquidos são destilados para dar origem ao biocombustível.
“Conseguimos obter o mesmo rendimento (50% de conversão) do caldo de cana. Estamos propondo uma tecnologia contínua, porque a nossa concentração de açúcar é muito menor (que o da cana-de-açúcar)”, explica o professor.
por Globo Rural On-line – (Foto: UFRGS / Divulgação)
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