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Brasil disputa espaço da carne argentina

Meta nacional é fazer exportações ultrapassarem novamente US$ 5 bilhões atendendo demanda que o país vizinho vem abandonando.


Um dos setores do agronegócio brasileiro mais abatidos pela crise de 2008/09, a pecuária deu a volta por cima no ano passado e traça metas ambiciosas para 2011. A disparada dos preços da carne e o reaquecimento do consumo que marcaram 2010 anunciam um novo ciclo de expansão para o setor, que planeja retomar investimentos para continuar crescendo neste ano. Sem deixar de lado a demanda doméstica, os pecuaristas brasileiros miram o mercado externo e querem alcançar US$ 5 bilhões em exportação em 2011 – marca atingida em 2008, mas perdida no ano seguinte.

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O momento é especialmente favorável para a retomada de mercados perdidos durante a crise, afirmam especialistas. Isso porque o Brasil seria o principal candidato a ocupar a lacuna deixada pela Argentina no mercado internacional. O país vizinho, que há seis anos era o terceiro maior fornecedor mundial de carne bovina, tem reduzido drasticamente os seus embarques nos últimos anos.

Desestimulados por políticas públicas que impõem fortes restrições às vendas externas, os argentinos viram suas exportações irem à lona no ano passado. Os dados oficiais mostram uma amarga queda de 53% no volume exportado pelo país em 2010. E o Brasil segue como maior exportador do mundo em volume, graças a um rebanho de mais de 200 milhões de cabeças, concentrado no Centro-Oeste. A expansão pode finalmente destravar as vendas externas de estados como o Paraná – que vem tentando recuperar embarques desde a crise da aftosa de 2005.

Antes da crise econômica internacional, os pecuaristas argentinos mantinham um rebanho de cerca de 50 milhões de animais. Mas a conjuntura política e uma das mais severas secas dos últimos anos – que devastou as pastagens e aumentou o abate de fêmeas – reduziram o plantel argentino de gado de corte em 10 milhões de cabeças no ano passado, conforme as entidades do setor. Como consequência, os abates caíram de 13,5 milhões em 2009 para 11 milhões em 2010. Um dos maiores consumidores de carne bovina do mundo, o país vizinho também vê a sua demanda interna minguar. O consumo per capita anual recuou de 70 quilos em 2009 para 55 quilos em 2010 e pode fechar 2011 próximo de 40 quilos. Cerca de 90% da produção de carne do país, que no ano passado somou 2,5 milhões de toneladas, são destinados ao mercado doméstico.

“O governo da Argentina deu um tiro no pé ao limitar as exportações. O país pode virar importador nos próximos anos. E o Brasil é o único país que pode ocupar esse gap. Uruguai, Paraguai, Austrália e Estados Unidos têm potencial limitado de crescimento, seja por já terem alcançado o limite de área ou de tecnologia ou por terem um mercado interno muito forte”, analisa Alex Lopes da Silva, da Scot Consultoria.

A avaliação de Silva é compartilhada, ainda que com ressalvas, pelo analista Carlos Cogo, da Cogo Consultoria Agroeco­nômica. Ele observa que o Brasil já abocanhou em 2010 parte do mercado aberto pela Argentina, mas afirma que havia espaço para um crescimento muito maior. “Se tivéssemos produzido meio milhão de toneladas a mais esse volume teria sido escoado facilmente”, declara.

As exportações brasileiras de carne bovina, que vinham crescendo desde 2004, quando ultrapassaram pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas, levaram um tombo em 2008/09. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que 1,23 milhão de toneladas de carne bovina in natura e processada deixaram os portos brasileiros no ano passado. Em 2006, chegou-se a 1,52 milhão de toneladas.

Os preços em alta no mercado internacional amparam o faturamento do setor. A receita das exportações somou US$ 4,8 bilhões no ano passado, acima dos US$ 4,1 de 2009, mas ainda atrás do recorde de US$ 5,3 milhões de 2008. A meta da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) para 2011 é se aproximar do resultado de três anos atrás.

“Com a dissipação dos efeitos da crise econômica global, os resultados voltam a aparecer. Mas para crescer com segurança o setor precisa de incentivo do governo. As políticas públicas que temos hoje são incompatíveis com o status da pecuária brasileira no mercado internacional”, frisa Péricles Salazar, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne- PR).

Fonte: Gazeta do Povo

Luiz Carlos

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Tags: milho

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