Preocupação com rendimento faz produtores ampliarem a área do milho
Eles são casos raros, mas possuem argumentos de peso. Enquanto a grande maioria dos produtores de grãos de todas as regiões agrícolas do país está reduzindo a área de milho e ampliando a de soja pelo segundo ano consecutivo, seguem o caminho inverso. Chegam a manter o cereal em 50% da lavoura. Tudo para garantir o sistema de rotação de culturas e preservar a produtividade dos próximos anos.
Numa região em que, além da soja, a cana também provoca redução na produção do cereal, Eder Esteves, de Votuporanga (SP), ampliou a produção. A soja teve área reduzida de 200 para 150 hectares. Com 50 hectares a mais, o milho alcançou a oleaginosa neste ano.
Além de seguir orientação técnica que incentiva essa proporção de cultivo, Esteves confessa que está fazendo também uma aposta no aumento das cotações regionais. Em sua avaliação, a demanda será maior que a oferta nos próximos meses, recompensando quem está apostando no milho de verão. Ele corre o risco de enfrentar concorrência maior do que prevê com a elevação da produção na safrinha, mas a vantagem técnica do sistema de rotação o encoraja.
O produtor Daniel de Fabris, de Aberlardo Luz (SC), manteve proporção de 70 hectares para milho e 70 para soja nesta safra de verão. Em seu sistema de cultivo alternado, o feijão e o trigo entram na roda na sequência.
Além de reduzir o risco de doenças nas plantações, Fabris relata ter custo abaixo da média da região. Não só por causa do rigor na rotação de culturas, que reduz a necessidade espalhar fertilizante no solo antes de cada plantio. Ele associa fertilizantes industriais com adubo orgânico, que tira de um aviário. O fato é que gasta R$ 680 para cultivar um hectare de soja, valor um terço abaixo do aferido por produtores vizinhos.
Para Fabris, a vantagem da rotação é essencialmente técnica. “Quem faz conta não planta milho.” Em sua região, a soja é a vedete da safra todo ano. Com clima favorável à produção de sementes, os produtores de Abelardo Luz conseguem adicional de 10% sobre a parte da colheita que atende às exigências da indústria sementeira.
fonte: Gazeta do Povo
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