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Cotação não se sustenta e fecha em queda

A demonstração de força esbanjada pela soja no pregão da última quinta-feira durou pouco. Um dia depois de reverter baixas de dois dígitos para terminar em alta, a oleaginosa amargou na sexta-feira um dia de pesadas perdas na Bolsa de Chicago e, para completar, voltou a trabalhar abaixo – bem abaixo – do patamar psicológico de US$ 11 por bushel.

Com as baixas, o saldo semanal também acabou mergulhado no vermelho. O contrato novembro/10, cotado a US$ 10,57 no final da jornada, recuou 49,75 pontos no dia e 69 pontos desde a sexta-feira passada. O janeiro/10 caiu 49 pontos nesta sexta, perdeu 68,75 pontos ao longo da semana e parou em US$ 10,6675. Já o maio/11 da safra brasileira registrou desvalorizações de 46,50 pontos hoje e 65,75 pontos nos últimos cinco pregões para terminar a semana na cotação de US$ 10,7825 por bushel, padrão de medida norte-americano que equivale a 27,21 quilos.

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A explicação para o tombo da soja está na atuação decidida dos fundos de investimento na ponta de venda. Com o início de um novo mês e na semana em que já haviam liquidado parte das posições compradas, a expectativa do mercado era de que eles estivessem dispostos a retornar às compras, como mostrara a virada da sessão de quinta-feira. Ledo engano. A realidade mostrou-se mais cruel, e os fundos voltaram a embolsar parte dos lucros que vieram sendo construídos desde o início de julho.

A primeira justificativa para os fundos encherem os bolsos veio do campo fundamental da própria soja. Embora não representassem nenhuma novidade, as previsões climáticas para Brasil e EUA voltaram a pesar nas costas das cotações. O fardo foi tão pesado que nem a boa demanda pelo grão norte-americano conseguiu segurar.

No Meio-Oeste norte-americano, o tempo seco na próxima semana vai facilitar o trabalho das colheitadeiras e, pelo que dizem os reportes das primeiras áreas colhidas, deve abarrotar os armazéns com índices de produtividade maiores do que o esperado. Já os temores quanto ao atraso do plantio da safra brasileira ficaram para trás graças às primeiras chuvas desta semana e da umidade que aparece nos radares meteorológicos para os próximos dias.

MILHO – O segundo motivo apresentado pelos fundos veio do mercado vizinho do milho. Assim como no pregão de sexta-feira, a soja recebeu as ondas do tremor que abalou as cotações do cereal. Mas, ao contrário da sessão de quinta, sexta-feira a oleaginosa não conseguiu reunir forças para reagir. Talvez até pela extensão das perdas registradas no milho, que viu os seus quatro primeiros contratos encerrarem o dia no limite de baixa de 30 pontos.

Quanto ao milho, aliás, é bom dizer que a baixa ainda foi conseqüência do relatório de estoques físicos que o USDA divulgou na sexta-feira. Ao se deparar com um volume de estoques bem maior que o esperado, o mercado passou a dar menos importância para a perda de produtividade na safra que está sendo colhida.

Tecnicamente, o estrago também foi grande. Além de ter fechado próximo da mínima, o novembro/10 caiu com força suficiente para testar a linha inferior do canal de alta iniciado em julho. Por hoje, o suporte funcionou. Mas, se o novembro/10 sair do canal, o próximo passo é a marca de US$ 10,50 por bushel. Algo que, como se sabe, vai depender muito do apetite dos fundos na semana que vem.

fonte: Diário de Cuiabá

Lucas Motta

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