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Clima teve efeito duplo

Peabiru e Tibagi – De um lado, as reclamações pela quebra no volume da produção. De outro, a constatação de que o clima proporcionou uma safra de trigo de melhor qualidade que a do ano passado, quando houve chuva em excesso. As avaliações sobre os resultados da safra atual são divergentes e mostram que a renda do produtor com a venda do cereal varia bastante, dependendo da região.

A escassez de chuvas na região de Campo Mourão, no Centro-Oeste, marcou todo o ciclo da cultura de trigo. Depois de 120 dias mais secos que o esperado, a queda na produtividade do cereal está se confirmando em municípios como Peabiru.

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O agricultor Amarildo Walker, que plantou 24,2 hectares no início de maio esperando colher, em setembro, uma média de 41,3 sacas por hectare (2,5 t/ha), relata quebra de 70%, para 12,4 sacas por hectare (745 quilos/ha). “Durante todo o ciclo, choveu apenas 20 milímetros. Com isso, o trigo sequer perfilhou. Não vai pagar as despesas que temos na colheita”, lamenta.

A falta de chuva também vai atrapalhar os planos do agricultor Antônio Demasceno. Ele plantou, no início de maio, 38,7 hectares e esperava colher uma média de 45,45 sacas/ha. “Se conseguir tirar 8,26 sacas por hectare, vai ser muito.” O agricultor conta que durante o ciclo do trigo, viu a lavoura ser molhada por garoa duas vezes. “Não chegou a chover 10 milímetros. Mais um ano vou arcar com os prejuízos”, lamenta.

Já o agricultor Moisés Ribeiro Veiga, da mesma região, está rindo à toa. Ele plantou em maio 363 hectares e colhe 90 sacas/ha. “Acredito que a variedade ajudou a superar a estiagem. Esperava colher uma média de 50 sacas. Não posso reclamar, pela boa produtividade. Este ano vou lucrar um pouco com o trigo.”

Lavoura saudável

O clima melhorou a qualidade do trigo, de uma forma geral, avalia o produtor Ivo Arnt Filho, que também é membro da Câmara Setorial de Culturas de Inverno ligada ao Ministério da Agricultura. Ele atua em Tibagi, nos Campos Gerais, onde as lavouras também apresentam quebra relacionada à falta de chuvas. “Os compradores estão buscando o nosso trigo para fazer massas e pães. Isso acontece porque a falta de chuvas inibiu as doenças da cultura, deixando a produção com melhor qualidade”, explica.

A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) calcula que a safra deve ter quebra de 5% a 10% em média, mas ainda não há avaliação sobre os benefícios do clima para a classificação do trigo. Segundo Arnt, a qualidade, em boa parte dos casos, compensa as perdas em volume, mesmo nas regiões produtoras mais castigadas quando há falta de chuva nesta época do ano – Campos Gerais, Centro e Centro-Sul do estado.

fonte: Gazeta do Povo

Lucas Motta

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