Na segunda quinzena de outubro o governo reiniciará os leilões de milho para um total de 50 mil de toneladas, informou Sílvio Farnese, coordenador geral de cereais e culturas anuais do Ministério da Agricultura. A Conab irá ofertar o cereal dos estoques públicos e o intuito é estimular a oferta no mercado.
"Faltam alguns detalhes técnicos que estamos ajustando com o Ministério da Fazenda", explicou Farneses. É necessária a publicação de uma portaria interministerial no Diário Oficial da União para a realização das operações.
O milho de Mato Grosso será ofertado pelo governo para o Rio Grande do Sul e os estados do Nordeste por meio dos leilões de VEP – Valor de Escoamento da Produção – nos quais o frete é subsidiado. O objetivo do Mapa ao realizar esses leilões é mostrar ao produtor que as atuais altas que os preços encontraram após as operações de Prêmio de Escoamento de Produto remuneram e por isso não é preciso que retenham seu produto.
O governo estima que os agricultores, comerciantes e cooperatiava estejam com um volume de 15 a 16 mihões de toneladas em mãos aguardando um novo avanço nas cotações. Por conta de problemas climáticos, dólar e especulações dos fundos de investimentos, o cereal já tem valorização,em reais, de 56% no mercado internacional.
Farnese deixou claro que o governo não tem o objetivo de intervir no mercado de modo a pressionar os preços. A avaliação é que os preços internos já se encontram próximos da paridade exportação, estimulando as vendas. O coordenador do Mapa disse que o Brasil deve exportar entre 9 milhões e 9,5 milhões de toneladas de milho até o final do ano, volume que pode chegar a 10 milhões de toneladas até janeiro. Segundo Farnese, o país vendeu 3,5 milhões de toneladas do produto no mercado internacional entre janeiro e agosto deste ano, sendo que apenas em setembro as exportações de milho devem ficar entre 1,6 milhão e 1,8 milhão de toneladas.
O governo avalia que o produtor rural pode reter milho por muito mais tempo e perder o momento de venda, o que é uma prática frequente. Por conta disso, a oferta de milho deve ser pequena, cerca de 50 mil toneladas. "Se for necessário, depois faremos mais", disse Farnese. Os estoques do governo chegam a seis milhões de toneladas, volume suficiente para atender a quase dois meses da demanda industrial, que é de 3,5 milhões de toneladas por mês. Este é, historicamente, o segundo maior volume de milho em mãos do governo: em 1995, os estoques públicos chegaram a oito milhões de toneladas.
Fonte: Redação NA
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