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Búfalos albinóides – raros, insólitos e lucrativos

– Animais gerados por mutação genética chegam a valer até seis vezes mais do que os búfalos convencionais –

 

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Vale a pena conferir. Quem passa pela altura do km 85 da rodovia GO-164, no município de Quirinópolis, em Goiás, dificilmente vai deixar de parar e observar um casal raro de animais, bem às margens da estrada. São búfalos brancos ou albinóides deixados ali estrategicamente pelos proprietários da Fazenda Serra Azul para atrair curiosos e pretensos compradores. Desde que os primeiros albinóides nasceram, a propriedade apostou na formação de um pequeno rebanho – hoje em torno de 60 búfalos brancos – para vender a donos de chácaras, fazendas, hotéis-fazenda, casas de campo, sítios e aficionados por animais diferentes.

 

“Um bicho desses em qualquer lugar é uma atração a parte”, comenta Noel Gonçalves Miranda, mais conhecido como Noel Júnior. Seu pai, Noel Gonçalves Lemes, foi o responsável em transformar a fazenda de 125 hectares em uma empresa de criação e comercialização de animais e aves silvestres e exóticos. Além dos búfalos brancos, a Serra Azul também investe em espécies das faunas africana, européia e asiática. “Tudo com autorização do Ibama, nota fiscal e marcação individual através de micro chips”, garante.

 

Mas é inegável que os bubalinos albinóides sejam um caso a parte na fazenda. “Qualquer animal pode nascer com estas características, mas no caso dos búfalos, até pelo seu porte, o fato chama muito mais atenção”, comenta Júnior. O surgimento deles aconteceu de forma natural depois que a família adquiriu um lote no Mato Grosso, com características convencionais de cor e pele. São animais da raça Jafarabadi, originária do oeste da Índia.

 

Júnior e a família não podem reclamar da sorte. Logo nos primeiros cruzamentos começaram a surgir os bezerros com pigmentação e partes do corpo brancas com pintas e manchas escuras e olhos azuis. “Essas características visuais distinguem o animal albinóide do albino, este último totalmente despigmentado e com olhos vermelhos”, explica.

 

Outro fato que chama atenção é que o rebanho de búfalos brancos da Serra Azul não surgiu de forma induzida. “Ele é fruto de uma mutação genética que depende da carga de genes com estas características que os pais carregam; na medida em que nascem, separamos os búfalos comuns dos albinóides. Como trabalhamos com animais diferenciados, optamos por manter os brancos e usar os pretos para reprodução e abate”, conta.

 

Esta opção fica mais do que justificada quando se avalia o valor de mercado. “Pelas suas características curiosas de pigmentação, os brancos chegam a valer de cinco a seis vezes mais do que os pretos; tivemos a sorte de ter acertado a compra de um grupo com esta carga genética”, admite o criador que prefere não falar no valor médio que obtém na venda dos animais. Ele garante, no entanto, que já comercializou cerca de 40 deles desde o início da formação do rebanho, por volta de 2003.

 

Júnior prefere usar de cautela ao falar do retorno comercial Ele gosta de fazer uma alegoria ao mercado de automóveis: “enquanto são vendidas centenas de carros Uno Mille, vende-se uma Ferrari”.

 

Mas apenas para efeito de comparação, tomamos por base o preço pago pela cooperativa Cooperbúfalo, do Rio Grande do Sul, para os proprietários de búfalos convencionais. De acordo com seu presidente, Júlio Ketzer, o produtor recebe aproximadamente R$ 5,00 pelo quilo de carcaça. São animais jovens (18 a 26 meses) com peso vivo mínimo de 420 quilos. O peso médio das carcaças abatidas fica entre 200 e 210 kg/animal. Isso remunera o produtor em aproximadamente R$ 1 mil. Portanto, pela ótica de mercado da Fazenda Serra Azul é possível deduzir que cada búfalo branco pode atingir preços superiores a R$ 6 mil.

 

Por outro lado, Júnior lembra que sua criação não visa o abate: “vendemos exclusivamente para interessados em ter animais diferentes e exóticos em suas propriedades”. A estratégia em deixar um casal às margens da principal rodovia, ao lado da fazenda, permite já vislumbrar novas possibilidades de ganho. “Muita gente para, entra, pergunta se é uma outra raça, se são cruzados, se são albinos e damos todas as explicações; futuramente pensamos até em abrir a fazenda para o turismo rural”, admite.

 

Ao contrário do que se pode imaginar inicialmente, o manejo do búfalo branco é o mesmo do búfalo preto não havendo, inclusive riscos de exposição à luz solar. “A sensibilidade ao sol é compatível com a do búfalo convencional, o que não ocorreria caso fossem albinos. Os cuidados sanitários também são idênticos e sua alimentação pode ser à base de pasto, volumoso, ração, silagem, confinados ou não, independente da região brasileira”, garante Júnior.

 

Ariosto Mesquita Duarte

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Ariosto Mesquita Duarte

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