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Café e etanol sobem na BM&FBovespa

Alda do Amaral Rocha e Fabiana Batista, de São Paulo
O café acompanhou o mercado internacional e registrou alta expressiva em julho na BM&FBovespa. De acordo com levantamento do Valor Data, as cotações dos papéis de segunda posição na bolsa brasileira subiram 7,89% em julho na comparação com a média do mês anterior.
Estoques baixos nos países produtores e também nos consumidores explicam a valorização do produto, de acordo com Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes. Ele observou que o Brasil ganhou espaço nas exportações de café no mercado, nos últimos anos, porque concorrentes, como Colômbia e países da América Central, tiveram quebras de safras devido a problemas climáticos.
Com isso, ano a ano, o Brasil foi consumindo estoques, hoje estimados em menos de cinco milhões de sacas – entre privados e públicos -, de acordo com Carvalhaes. Para o especialista, as reservas brasileiras de café atualmente são as menores em muitos anos.
Um indicador que tem sustentado os preços internacionais de café, acrescenta Carvalhaes, são os estoques certificados na bolsa de Nova York. Os níveis atuais são baixos, já que Colômbia e países da América Central, que fornecem seus cafés para os estoques da bolsa americana, estão produzindo menos e suas safras só entram a partir de dezembro.
Os contratos de etanol da segunda posição em Nova York subiram 9,08% em julho em relação à media de junho, mostra o Valor Data. A alta reflete o próprio aquecimento no mercado físico de etanol, segundo Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência. Em plena moagem de cana-de-açúcar, os preços do etanol não param de subir. A razão é que as usinas, mais capitalizadas nesta temporada, estão com melhores condições de estocar álcool e fazer caixa com a venda de açúcar. Este, aliás, também tem registrado altas sucessivas no mercado internacional e doméstico.
A atratividade do contrato futuro de etanol na BM&FBovespa também se deve, segundo Rodrigues, ao fato de a liquidação ser financeira. "Ninguém está com medo de entrar nesse mercado, pois ao fim do mês, a posição é liquidada pelo valor dos últimos cinco dias do indicador desse contrato, sem obrigatoriedade de haver a entrega física do produto", diz Rodrigues.
A alta dos contratos de soja na bolsa brasileira foi de 6,03% em julho, sempre levando em consideração o valor médio da segunda posição. A oleaginosa tem subido no mercado internacional refletindo a desvalorização do dólar que estimula os investimentos em commodities. Os ganhos no mercado de trigo por causa da quebra da safra na Rússia e países da Europa também têm influenciado a soja.
No caso do boi gordo, a média da segunda posição na bolsa subiu 1,6% entre julho e junho. A valorização acompanha os recentes ganhos no mercado físico, que vive um "hiato" entre a oferta de gado de pasto e de animais de confinamento.
Fonte: Valor Econômico

Luiz Carlos

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