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Cana: colheita mecanizada é melhor para o meio ambiente

A cana-de-açúcar é uma das culturas mais destacadas em questões ambientais porque é uma das principais matérias-primas para a produção de energia limpa. No entanto, boa parte da cana brasileira é queimada na colheita manual, o que contribui para alguns prejuízos ambientais como a liberação de gases estufa e fuligem. Um estudo feito pelo engenheiro agrônomo Marcelo Valadares Galdos, doutor em ciência de solo pela Esalq e aluno de pós-doutorado do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo, mostra os benefícios ambientais da colheita mecanizada, já que ela não envolve a queima e mantém a matéria orgânica no solo, contribuindo para o sequestro de carbono.

"O objetivo é avaliar o benefício ambiental de colher a cana sem queima, no contexto do aquecimento global. O enfoque não é a mecanização ou não da colheita, a questão é a queima. Seria até possível colher a cana manualmente sem a queima, mas é muito trabalhoso e economicamente inviável. Basicamente, são dois motivos principais dos benefícios da colheita mecanizada. Ao colher mecanicamente, você deixa de ter que queimar a palha da cana, ao não queimar você evita que uma série de partículas sejam enviadas para a atmosfera e também gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global. Por outro lado também, você mantém um material orgânico, que é a palha, cobrindo o solo. Parte do carbono contido nesta palha vai sendo incorporado ao solo, você deixa de mandar carbono para atmosfera e ainda vai acumulando ele no solo. Não é um processo que acontece de uma hora para outra, isso acontece ao longo dos anos", diz Galdos.

O pesquisador explica que, apesar de os custos com a colheita mecanizada serem maiores, aos poucos os produtores e indústrias terão que substituir a forma de colheita, principalmente por questões legislativas. Galdos diz que o fator econômico pode ser um aliado, já que o mercado está disposto a valorizar o que está acontecendo de positivo na questão ambiental. Além do mercado de crédito de carbono, os produtores de cana que passarem a fazer a colheita mecanizada podem ter uma renda extra com parte da matéria orgânica deixada no solo. O especialista esclarece que, para beneficiar o solo, não é preciso deixar 100% da palha sobre ele. Parte do material pode ser usado para gerar etanol de segunda geração, etanol celulose, ou produzir eletricidade.

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"A fuligem, envio de material particulado a partir da queima, tem impacto direto na questão de saúde. Já foi comprovado que pode causar problemas respiratórios. A novidade é a discussão de que também há um impacto em termos de aquecimento global quando você também manda estas partículas para a atmosfera. A queima de biomassa na área agrícola não é uma das principais fontes se comparada com a queima dos combustíveis fósseis, como diesel e gasolina. Isso já muda quando a gente fala de desmatamento em grandes áreas. Mas, ambientalmente, é muito melhor você não fazer a queima para não mandar o carbono para atmosfera e deixá-lo no solo. Estamos comparando sistemas colhidos com queima e sem queima", ressalta.

Fonte: Portal Dia de Campo

Luiz Carlos

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