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Inundação afeta usinas e canaviais do Nordeste

As chuvas torrenciais que atingiram o Nordeste nos últimos dias e deixaram dezenas de mortos e milhares de desabrigados, afetaram também usinas e canaviais de Pernambuco e Alagoas. A estimativa de moagem na próxima safra pernambucana já foi revista para baixo. Os prejuízos somente neste Estado podem chegar a R$ 70 milhões, sem considerar os gastos que as usinas devem ter apenas para recuperar as estradas vicinais.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar) de Pernambuco, Renato Cunha, conta que uma das unidades inundadas foi a Usina Vitória, da cidade pernambucana de Palmares. A indústria está arrendada desde o ano passado pelo grupo de infraestrutura Norte-Sul, que tem entre seus sócios, acionistas do grupo Bertin. O Valor tentou falar com o escritório da empresa em São Paulo, mas os porta-vozes tinham se deslocado para Pernambuco, devido ao incidente, e estavam inacessíveis, segundo informou uma secretária.

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O transbordo do rio Mundaú, que veio com força desde o território pernambucano, afetou sobretudo as usinas do Vale do Mundaú, na região Zona da Mata alagoana.

A usina Lajinha, do grupo do ex-senador Carlos Lyra, está na lista das inundadas. Dois tanques de álcool da unidade foram arrastados pela enchente. A usina Santa Clotilde, na cidade de Rio Largo, também foi inundada e, em um primeiro momento, teve perda de caminhões e tratores, diz Pedro Robério, presidente do Sindaçúcar de Alagoas. Ele afirma que não é possível avaliar os prejuízos neste momento, pois ainda há muita área submersa. "Mas certamente haverá perda em cana", afirma.

Em Pernambuco, Estado com maior produção de açúcar e álcool do Nordeste, a perda com cana deve atingir, no mínimo, de 3 mil a 4 mil toneladas por causa das inundações. Isso vai significar, segundo o sindicato, redução de 6% na moagem do Estado na temporada que começa em setembro em relação à passada, quando foram processados 17,9 milhões de toneladas.

A avaliação já conta com queda da produtividade até da cana que não foi afetada pela enchente. Isto porque, antes do dilúvio, a região passou por estiagem fora do normal. "A região da Zona da Mata ao Norte recebeu apenas 46 milímetros de chuvas em maio, volume que foi de 364 milímetros em igual mês de 2009", exemplifica Cunha.

Apesar de bem menos volumosas, as precipitações em Santos (SP) também prejudicam os embarques de açúcar, segundo informações da Kingsman do Brasil. Com isso, a programação de embarques até 30 de junho nos portos do Brasil, que até segunda-feira estava em 2,4 milhões de toneladas, elevou-se ontem, ou seja, em menos de 24 horas, para 2,76 milhões de toneladas.

Fonte: Valor Econômico

Luiz Carlos

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