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Em plena safra, álcool tem alta de quase 20%

 

Em pleno início da safra de cana-de-açúcar e na contramão do que ocorre nas usinas produtoras, o preço do álcool nos postos de Curitiba subiu pela terceira semana consecutiva e chegou a R$ 1,61 por litro, em média, na semana passada. Desde a semana encerrada em 10 de abril, quando teve início o atual ciclo de reajustes, o combustível subiu 25 centavos na capital, o equivalente a 19%. Em ritmo um pouco mais lento, o litro da gasolina também ficou mais caro nesse período, passando de R$ 2,32 para R$ 2,53 – uma alta de 21 centavos, ou 9%. Os dados são do le­­vantamento semanal feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que consultou 96 postos da cidade.
O cenário é semelhante nos demais municípios do estado. O preço do álcool em todo o Paraná subiu 15% nas últimas três semanas, para R$ 1,60 por litro, na média dos 556 estabelecimentos pesquisados pela ANP. O litro da gasolina, por sua vez, subiu 7%, para R$ 2,54.
Apesar dos fortes aumentos, a relação de preços entre os dois combustíveis ainda favorece o derivado da cana. Em Curitiba e no Paraná, o preço do álcool equivale a cerca de 63% do custo da gasolina – abaixo de 70%, o combustível vegetal é tido como mais vantajoso.
Os preços cobrados do consumidor seguem rumo oposto aos praticados nas usinas produtoras, que há cerca de um mês vêm processando a nova safra de cana. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o custo do álcool hidratado – usado nos carros bicombustíveis – caiu nas últimas três semanas nas destilarias de São Paulo, principal centro produtor. Nesse período, as cotações acumularam baixa de quase 20%.
O Sindicombustíveis do Paraná, representante dos postos, afirma que o álcool é comprado com 30 dias de antecedência, e portanto o impacto no preço do varejo ocorre tardiamente em relação ao valor do álcool nas usinas. “O reflexo do preço de hoje do álcool no atacado só será sentido nos postos daqui a três ou quatro semanas”, diz Roberto Fregonese, presidente do sindicato.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) afirmou que não se pronuncia sobre o preço praticado por cada fornecedor. Petrobras, Shell e Ipiranga foram procuradas, mas não quiseram comentar o assunto ou não responderam aos pedidos de entrevista até o fechamento desta edição.
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Mistura
Após três meses de mistura reduzida, a proporção de álcool na gasolina voltou ao patamar normal no sábado, passando de 20% para 25%. A mudança pode limitar a oferta do derivado da cana e, portanto, tem potencial para causar novos aumentos nos preços.

 

Fonte: Gazeta do Povo

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