O caminho não será fácil, mostra a experiência deste ano dos produtores de milho. A colheita do ciclo 2009/2010 não deve chegar perto do recorde de 2007/2008. O país tende a alcançar entre 52 milhões e 54 milhões de toneladas, ante as 58 milhões atingidas dois anos atrás. Mesmo assim, os preços estão abaixo dos custos nos dois principais estados produtores, Paraná e Mato Grosso. Os agricultores enfrentam ainda falta de armazéns, estradas em más condições e frete inflacionado.
O que o meio urbano tem a ver com o problema? Muito. Em 2009, o governo gastou R$ 1,9 bilhão para apoiar a comercialização do milho em todo o país. Além disso, quando os preços caem abaixo dos custos, inibem o cultivo e provocam oscilações que desestabilizam o complexo agroindustrial. A longo prazo, a renda do campo fica limitada, o que desaquece as economias regionais. Tudo pelo excesso de produto no mercado interno, que é estimado em 10 milhões de toneladas, quase uma safra paranaense.
Se a questão se resumisse à relação entre oferta e procura, não haveria tanto motivo para discussão. O quadro poderia ser considerado bom para redução de custos na indústria da carne, por exemplo. O milho é o principal ingrediente da ração de aves e suínos e ganha importância como alimento bovino. Teoricamente, o cereal barato faria com que o preço da carne caísse nos supermercados. O consumidor final teria acesso a fontes de proteínas sem desembolsar tanto dinheiro.
Porém, o quadro vai além disso. A ampliação da produção passou a ser uma estratégia necessária para que as propriedades rurais se sustentem. Na corrida global pela competitividade, os produtores são pressionados a manter a terra ocupada o ano todo. Dessa forma, não é tão simples suspender a produção de milho sem afetar outras culturas, que teriam de arcar com parcela maior dos custos da propriedade. Além disso, a ampliação da atividade agrícola como base de um projeto agroindustrial mostra-se como saída para o desenvolvimento econômico de centenas de municípios, principalmente no Centro-Oeste. Com a maior parte de sua área agrícola explorada, o Paraná avança na agregação de valor aos alimentos, mas ainda depende fortemente da renda dos grãos in natura.
Ponto chave nessa malha de conexões econômicas, o planejamento estratégico do agronegócio deveria ir além de projeções estatísticas. O apoio à comercialização é um remédio, mas não a solução para o setor, que espera melhores estradas, maior estrutura de armazenagem, mais ágeis e competitivos canais de exportação. O país precisa produzir cada vez mais e melhor para se desenvolver, sim. Porém, com uma infraestrutura deficitária, a expansão da atividade agrícola pode simplesmente ampliar gargalos logísticos.
Fonte: Gazeta do Povo
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