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Apesar da retomada, Índia ainda terá estoques baixos

A mesma Índia que causa neste momento agonia aos produtores e tradings do Brasil também foi a responsável por provocar euforia no setor brasileiro quando os preços a commodity começaram a subir, ainda no segundo semestre de 2009. Isso porque na safra 2008/09 a produção do país asiático caiu 45% e, na seguinte, em curso, recuperou-se apenas 10%, provocando um grande déficit mundial. Mas apesar da retomada da safra atual e da perspectiva de grande produção na próxima temporada – 24 milhões de toneladas a partir de outubro – não é esperada uma recuperação total de estoques indianos, segundo Mário Silveira, da FCStone. "A safra esperada é semelhante ao consumo", afirma ele.

Fatores altistas podem vir, por exemplo, se a Índia aproveitar os preços mais baixos para recompor parte de seus estoques. Ou ainda, se a produção na China, que passou por quebra nas últimas duas safras, for menor do que a sua própria demanda. Ainda, se for concretizada a intenção do governo americano de aumentar em 24% a cota de importação de açúcar, atualmente em 1,12 milhão de toneladas.

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"Mas, se há uma questão importante à frente, essa questão é o clima no Brasil e na Índia. A queda atual dos preços se baseia em uma condição climática excelente nos dois países, o que redundaria em uma superprodução. No entanto, qualquer intempérie pode mudar tudo", diz.

As cotações do açúcar alcançaram o maior patamar em quase 30 anos em Nova York em 29 de janeiro. Houve papéis que superaram a barreira de 30 centavos de dólar por libra-peso, mas o contrato futuro de segunda posição, que normalmente têm maior liquidez, fechou na ocasião a 28,60 centavos, acumulando uma impressionante valorização de 224,6% em relação ao pregão de 13 de junho de 2007, piso desde então.

Em meados de março a demanda começou a arrefecer e, o mesmo movimento especulador dos fundos que elevou as cotações a níveis históricos, começou a desmanchar posições, fazendo os preços atingirem a mínima de 16,23 centavos de dólar (segunda posição), queda de 43% em relação à cotação recorde de 29 de janeiro. Desde então, notícias de retomada da demanda vem trazendo alguma recuperação que, até o pregão de ontem, já estava em 8,93% – 17,68 centavos de dólar por libra-peso, alta no dia de 45 pontos.

 

Fonte: Valor Econômico

Luiz Carlos

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