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Seleção por ultra-sonografia de carcaça

A baixa remuneração da carne bovina no Brasil ainda é um problema freqüente. A indústria nacional argumenta que a falta de uniformização nos lotes para abates, cobertura de gordura e marmorização são fatores de grande influência na qualidade da carne. Diante desta realidade, há uma necessidade de se produzir animais com boa carcaça, cujo rendimento frigorífico seja maior, e também, apresente boa cobertura de gordura. Hoje, apesar de recente, programas de melhoramento genético no país têm considerado a avaliação de carcaça (DEP’s), que disponibiliza aos pecuaristas instrumentos de seleção para uma melhoria no rendimento e na qualidade da carne.

A avaliação genética de carcaça por ultra-sonografia consiste na medição em três regiões do corpo do animal: área de olho de lombo (AOL), gordura de cobertura (contra-filé) e garupa (entre alcatra e picanha – P8). As imagens obtidas são analisadas, levando-se em conta o peso, a altura e o grupo de manejo, para que seja feita a avaliação e, obtenha assim, um índice para esta característica.

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Especialistas informam que animais-destaques para características como: área de olho de lombo (AOL) produzem maiores pecas de cortes nobres e, para espessura de gordura (EG) garantem preservação da qualidade e das características desejáveis pelo consumidor. Deste modo, as oportunidades de expansão do mercado de carne bovina estão associadas à qualidade da carne. Segundo Fabiano Araújo, diretor técnico da Aval Serviços Tecnológicos, esta avaliação permite uma melhoria na qualidade de carne. “A seleção para acabamento possibilita que um animal dê um melhor rendimento frigorífico”, informa. Ele destaca ainda que “as características de carcaça são de herdabilidade média-alta e o uso do ultrassom permite uma análise precoce dos animais para seleção sem a necessidade do abate, além de ser uma medida com custo inferior e mais ágil, se comparado ao teste de progênie”.

Conforme explicou Fabiano, “o tamanho do animal (altura) é inversamente proporcional à deposição de gordura, ou seja, quanto mais alto é o animal, mais baixa é a capacidade de armazenar gordura. O acabamento também está diretamente ligado à precocidade sexual do animal, sendo que, a cada 1mm gordura, aumenta-se em 12% a prenhez do animal”.

Embora a seleção para acabamento seja um dos caminhos para a expansão de mercado e, conseqüente redução de custo por quilo de carne produzida, Fabiano destaca que um dos maiores entraves enfrentados pelos pecuaristas ainda é a remuneração. "Poucos produtores utilizam reprodutores com esta seleção em seu rebanho, conseqüentemente, é alto o número de animais para abate sem acabamento. Esta é a justificativa utilizada pelos frigoríficos para desvalorizar o preço da arroba ofertada", informa.

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