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Pecuária não é a culpada da mudança climática

Apesar das frequentes repetições das afirmações por fontes desde as Nações Unidas até o astro da música Paul McCartney, simplesmente não é verdade que consumir menos carne e produtos lácteos ajudará a parar a mudança climática, disse uma autoridade em agricultura e gases de efeito estufa da Universidade da Califórnia.

O professor associado da UC Davis e especialista em qualidade do ar, Frank Mitloehner, disse que McCartney e o presidente do Painel Intergovernamental de Mudança Climática das Nações Unidas ignoraram a ciência na semana passada quando lançaram na Europa a campanha chamada "Menos Carne = Menos Aquecimento". O lançamento veio às vésperas da maior conferência internacional do clima, que acontece de 7 a 18 de dezembro em Copenhague.

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McCartney e outros, como os promotores da campanha "segundas-feiras sem carne", parecem estar bem intencionados, mas não bem instruídos nas complexas relações entre as atividades humanas, digestão animal, produção de alimentos e química atmosférica, disse Mitloehner. "Produção animal mais esperta, e não menos produção, irá igualmente reduzir o aquecimento", disse Mitloehner. "Produzir menos carne e leite somente significará mais fome em países pobres".

Mitloehner relaciona grande parte da confusão pública sobre o papel da carne e do leite na mudança climática a duas sentenças em um relatório das Nações Unidas de 2006, chamado "Livestock's Long Shadow". Presente apenas no sumário executivo do relatório e em nenhum local no corpo do mesmo, as sentenças dizem: "o setor de produção animal é um importante participante, responsável por 18% das emissões de gases de efeito estufa metidas em CO2 (equivalentes em dióxido de carbono). Essa é uma participação maior do que a do transporte".

Essas afirmações não são precisas, embora sua ampla distribuição nas notícias da mídia tenha nos colocado no caminho errado em direção a soluções, disse Mitloehner. "Nós certamente podemos reduzir nossa produção de gases de efeito estufa, mas não consumindo menos carne e leite. Ao invés disso, em países desenvolvidos, deveríamos focar no corte do uso de petróleo e carvão para eletricidade, aquecimento e combustível de veículos".

Mitloehner disse que as autoridades líderes concordam que, nos Estados Unidos, a criação de gado bovino e suíno para a produção de alimentos é responsável por cerca de 3% de todas as emissões de gases de efeito estufa, enquanto o transporte cria cerca de 26%.

"Em países em desenvolvimento, devemos adotar práticas mais eficientes no estilo ocidental de produção para fazer mais alimentos com menos produção de gases de efeito estufa". Nesse ponto, ele concorda com a conclusão do relatório "Livestock's Long Shadow" que pede pela "substituição da atual produção sub-ótima com métodos avançados de produção – em cada passo, desde a produção de alimentos animais, até a produção e processamento animal, distribuição e comercialização".

"Os esforços do mundo desenvolvido deveriam focar não na redução do consumo de carne e leite, mas, ao invés disso, no aumento da produção eficiente de carne em países em desenvolvimento, onde as crescentes populações necessitam de mais alimentos nutritivos", disse Mitloehner.

Fonte: Dairy Herd Management, traduzida pelo BeefPoint.

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