Categories: Economia

Produtores devem segurar vendas de soja e milho

Cerca de 20% do que se espera colher foi comercializado nas chamadas vendas futuras.

Em torno de 300 produtores rurais considerados empresários do campo em todo o oeste do Paraná e profissionais ligados a setores de crédito e do seguro rural participaram ontem em Cascavel do chamado Circuito Agro realizado pelo Banco do Brasil. Ao todo, são promovidos eventos similares em quatro municípios polo da agricultura em todo o Paraná e em 60 por todo o Brasil.

Publicidade

Na pauta estiveram temas como seguro rural, sucessão no campo e um dos mais aguardados: os cenários para o mercado econômico diante das mudanças estruturais de mercado, guerras comerciais e a postura comercial que promete ser adotada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, e sua equipe econômica.

Para o analista de mercado da Agroconsult, Fábio Memeghini, o momento é de dar um voto de confiança ao novo cenário político e econômico brasileiro, mas reforçou que algumas condições devem servir como um alerta.

Segundo o consultor, a recomendação é para que os produtores interrompam as transações comerciais, guardem seus estoques e aguardem ao menos até a posse de Jair Bolsonaro, em janeiro próximo, para firmar novos contratos.

A orientação é analisar como o mercado deverá se comportar, quando o assunto é bascamente câmbio e reflexos das relações comerciais.

O consultor lembrou que o produtor plantou a atual safra – especialmente a oleaginosa, que ocupa 1,1 milhão de hectares no oeste – com custo de produção de 10% a 15% mais elevado que na safra 2017/2018. Isso por conta da valorização cambial, que levou a moeda morte-americana a passar dos R$ 4 neste segundo semestre. “O produtor gastou mais para plantar, mas também pôde se capitalizar um pouco mais na venda da safra passada com o dólar mais alto. Então conseguiu fazer um caixa. Neste momento, o câmbio está mais baixo [ontem fechou em R$ 3,74], o ideal é esperar mais um tempo, ao menos até a posse do novo presidente para ver como o mercado deverá se comportar”, destacou.

“Além do mercado econômico, devemos esperar o comportamento do clima. Quem já conseguiu vender um pouco [da atual safra] que espere um pouco até o início do próximo governo para avançar na negociação, vamos ver ainda como fica a guerra comercial que vem afetando o preço das commodities”, seguiu.

No oeste, cerca de 20% do que se espera colher foi comercializado nas chamadas vendas futuras. Isso representa cerca de 780 mil toneladas dos 3,9 milhões de toneladas de produção total.

FONTE: O PARANÁ.

Cristina Crispa

Published by
Cristina Crispa

Recent Posts

Preço do Boi China: SP e Pará lideram teto do mercado

O preço do boi china a prazo atinge marcas importantes neste sábado. Confira a tabela…

13 horas ago

Prejuízo no oceano? Como rêmoras pesam nos hospedeiros

Mecanismo de sucção das rêmoras representa um dos maiores triunfos da engenharia biológica nos oceanos…

13 horas ago

Alerta na zootecnia: o segredo do tamanduá-bandeira

O enriquecimento ambiental para tamanduá-bandeira é uma metodologia zootécnica essencial que utiliza estímulos físicos e…

13 horas ago

Preço da vaca gorda surpreende com altas regionais; onde subiu?

O preço da vaca gorda ganha força neste sábado com altas em São Paulo e…

13 horas ago

Prejuízo no trânsito? O eVTOL VT35 da EHang promete mudar isso

O eVTOL VT35 da EHang representa um marco na mobilidade aérea urbana global, trazendo uma…

13 horas ago

Prejuízo à tradição gera debate sobre pão de queijo

O pão de queijo mineiro é uma das maiores joias da nossa gastronomia. Uma recente…

13 horas ago

This website uses cookies.