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Dinheiro não aceita desaforo

 

Algumas redes de restaurantes na América tem a orgulhosa frase “we serve all” enquadrada e visível na sua porta. Isto é o resquício histórico de um país racista aonde, há bem pouco tempo, existiam comedores exclusivamente para brancos e outros para os verdes, amarelos, azuis e pretos.

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O mesmo se aplica para as feridas de uma antiga guerra entre irmãos que quando, ao terminar, deixou a herança de uma sociedade sulista norte-americana interpretada como sendo retrógrada, atrasada e ruralista. A literatura, o cinema e o histórico policial nos mostram que esta herança está ali, viva e vibrante na mente dos brancos da Geórgia ou do Mississipi. 

Recentemente a hotelaria de Curitiba não aceitou Lula como seu hóspede, com uma honrosa exceção. Os motivos alegados foram muitos, mas o mais assustador é o que define nosso momento atual: não querer que a sua imagem ou do seu empreendimento seja associada a de Lula, na forma de abrigo ou hospedagem.

Entendi.

O preto que vá comer em outro lugar.

Não estou a favor de nenhum dos lados (melhor: estou, mas não vou discursar aqui neste palanque digital) mas a exclusão de hóspedes por razão ideológica, racial, de gênero, ou qualquer outra, contraria o princípio básico do mercantilismo: dinheiro não aceita desaforo.

Na tentativa de escrever uma biografia em um papel aonde não cabem biografia ideológica e negocio, alguns empresários tomam um perigoso partido que pode (e irá) se virar contra os próprios. A história é implacável e não terminou, contrariando o Fukuyama. 

Tomem o exemplo do Stalin (só para provocar um dos lados). Apagou a imagem e a vida de opositores, criou uma violenta máquina de propaganda e fundou o “Stalinismo” que ainda hoje é sinônimo de ditadura déspota e sanguinária. O José em questão fundou um modelo de gestão pública aonde existem duas formas de ver seu governo: a dele e a errada. Algo assim como um Lulismo ou Dirceuzismo tupiniquim contemporâneo. 

Negócios meus amigos, ou devem ser apolíticos ou então serão ONGs financiadas por Estados aparelhados, tanto pela direita quanto pela esquerda. 

Tudo isso para dizer que, considerando as modernas técnicas de revenue management, os hoteleiros de Curitiba deveriam receber a todos e sim, deveriam é aumentar dramaticamente as suas tarifas em um momento de “grande evento” na cidade.

Esta é a manifestação e a ordem de uma lei que nenhum dos dois lados poderá revogar: a lei da oferta e da procura. 

*Julio Gavinho é executivo da área de hotelaria com 30 anos de experiência, fundador da doispontozero Hotéis, criador da marca ZiiHotel,  sócio e Diretor da MTD Hospitality  

 

Vervi Assessoria

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