Desempenho do ovo e frango vivo em janeiro de 2017

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Desempenho do ovo em janeiro de 2017.

O ovo percorreu o primeiro mês de 2017 apresentando comportamento à primeira vista inédito. Pois na primeira metade do mês, momento em que se concentra a comercialização do período, experimentou fortíssimas baixas. E na segunda quinzena (quando, normalmente, a demanda entra em declínio) reverteu a situação, não só recuperando o que havia perdido, mas também superando os preços iniciais do ano.

Ilustrando (e tomando como base o ovo branco extra comercializado no atacado da cidade de São Paulo), no último dia de negócios da primeira quinzena o produto foi comercializado por quase 12% menos que na abertura do exercício. Isso correspondeu, nominalmente, ao menor preço dos últimos 18 meses, fazendo com que a cotação vigente ficasse próxima da alcançada em julho de 2015.

A reação começou já no primeiro dia de negócios da segunda quinzena e foi praticamente contínua. A ponto de o mês ser encerrado com valorização de mais de 18% em relação aos preços iniciais de 2017.

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Tal comportamento, porém, não tem nada de inédito. Vem se repetindo nos últimos anos e reflete a pronta ação dos produtores frente a um mercado consumidor visivelmente menor que o do mês anterior, o das Festas: frente à queda de consumo, descartam-se as galinhas mais velhas ou menos produtivas. O efeito é imediato.

Pena, somente, que o mercado consumidor se encontre bem mais estreito que em ocasiões anteriores. Assim, a despeito da forte valorização no decorrer da segunda quinzena, o preço médio alcançado pelo ovo no mês de janeiro retrocedeu 17% em relação a dezembro passado.

E uma vez que a média registrada no encerramento do último exercício não esteve entre as melhores do ano, com esse elevadíssimo índice de redução 2017 acabou sendo aberto com o menor preço nominal desde setembro de 2015. Portanto, com queda (quase 4% a menos) não apenas em relação a janeiro/16, mas em relação aos últimos 16 meses.

À primeira vista, a remuneração mais baixa tem justificativa, pois o custo das principais matérias-primas do ovo – milho e farelo de soja – também retrocederam. Essa, porém, é uma meia verdade. Porque, por exemplo, feita uma comparação com os valores vigentes 16 meses atrás, constata-se que o poder de compra do ovo em relação ao milho continua sendo menor. Em setembro de 2015 uma caixa de ovos adquiria perto de 1,9 saca de milho; agora, esse volume não vai muito além de 1,6 saca – cerca de 15% menos.

A curva sazonal de preços do ovo mostra que no bimestre fevereiro/março são registrados os melhores preços do ano, já que o período abrange a Quaresma. Como, neste ano, a Quaresma começa mais tarde, em março, o setor precisa ficar atento ao andar do mercado em fevereiro. E agir rapidamente, se a situação recomendar.

Desempenho do frango vivo em janeiro de 2017.

Em 100% dos últimos cinco anos, o frango vivo (base: preço ao produtor no interior paulista) encerrou o primeiro mês do ano valendo menos que na abertura do exercício. Em janeiro de 2017 isso se repetiu. E nem se poderia esperar que fosse diferente. Por, pelo menos, duas razões. Primeiro, porque o País experimenta crise que, ao afetar toda a economia, deprime profundamente o consumo.

Segundo porque, na contramão desse cenário, o setor aumentou a produção (pintos de um dia de novembro), gerando oferta adicional que chegou ao mercado exatamente quando a demanda – por férias da população ou pelo atendimento das obrigações financeiras de todo início de ano – retrocede aos mais baixos níveis de qualquer novo exercício. Isto, independente da retração de consumo vinda de 2016.

Apesar, porém, desses aspectos negativos, o mês foi encerrado em condições melhores que em alguns anos anteriores. Pois enquanto o retrocesso de preços do primeiro para o último dia de janeiro de 2017 situou-se em 15,25%, no ano anterior (2016) chegou a 16,67% e cinco anos atrás (2012) alcançou 23,68%.

Isso, entretanto, não invalida a constatação de que o início do ano foi péssimo. Pois o valor médio recebido pelo produtor no mês (menos de R$2,65/kg) correspondeu ao segundo pior resultado dos últimos 19 meses. Ou seja: supera, somente, os R$2,50/kg registrados em maio de 2016, além de estar nominalmente aquém do que foi registrado em julho de 2015 (R$2,65/kg, o terceiro pior preço em mais de ano e meio).

De toda forma, o balanço dos próximos meses não deve ser fechado de maneira tão negativa. Senão com a ênfase observada em anos anteriores, o consumo interno tende a apresentar expansão à medida que a população retorne à rotina. Uma expansão moderada (pois a crise persiste), mas ainda assim uma expansão.

Porém, o que mais levanta expectativas, no momento, é a perspectiva de aumento das exportações brasileiras de carne de frango em decorrência dos embargos (parciais ou totais) impostos a países europeus e asiáticos afetados pela Influenza Aviária.

Sem dúvida o País sairá beneficiado desse episódio. Mas – não custa lembrar – historicamente as exportações têm correspondido a não mais de um terço da produção brasileira. Ou seja: a maior parte do que é produzido continua tendo como consumidor o mercado interno, hoje também em recessão.

Com o retrocesso de preços das matérias-primas básicas, as condições atuais de produção são bem melhores que as de um ano atrás. Mas podem ser desperdiçadas se não houver atenção para as efetivas dimensões do mercado. Portanto, é indispensável caminhar com muita cautela.

Fonte: Avisite.


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