Soja: Bons embarques americanos

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Os preços da soja voltaram a subir nesta segunda-feira (9) na Bolsa de Chicafo e fecharam o dia com altas na casa dos 10 pontos entre os principais contratos. Segundo analistas e consultores de mercado, além de recuperação, as cotações foram ainda estimuladas pelas preocupações que o clima no Brasil voltaram a causar e pelos bons números de embarques semanais dos Estados Unidos. 

O volume de soja embarcado na última semana pelos EUA, de acordo com o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), foi recorde para o período e somou 1.457,230 milhão de toneladas e superou as expectativas do mercado, que eram de 1,09 milhão a 1,39 milhão de toneladas. Assim, o acumulado sobe para 34.429,332 milhões de toneladas, contra 29.181,832 milhões da temporada anterior. 

O ritmo das operações de exportação dos EUA impressionam neste ano comercial, e já há cerca de 86% da projeção total do USDA comprometidos da soja americana. “Nesse momento, os EUA precisam vender apenas 185 mil toneladas por semana até o fim de temporada para atingir a estimativa do USDA”, explicam os analistas da Agrinvest Commodities, no blog da consultoria. 

Nesta semana, o departamento americano atualiza suas projeções mensais de oferta e demanda e as expectativas, como sempre acontece, são grandes para as exportações norte-americanas. Para os executivos da Agrinvest, esses números devem ser revisados no reporte que chega no próximo dia 12. Já para alguns analistas internacionais, o USDA pode manter seu conservadorismo e não mexer nos números. 

“É importante lembrar que os importadores já comprometeram 86% da soja projetada a ser exportada pelo USDA nesta temporada 2016/17. Porém, não seria surpresa vermos o USDA mantendo a sua projeção para as vendas deste ano comercial”, acredita Terry Reilly, da Futures International. 

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Entre as notícias do clima na América do Sul, se destacaram as fortes chuvas que chegaram à Argentina no final de semana, com a ocorrência de granizo em algumas regiões e mais danos causados nas áreas produtoras do país. 

Em contrapartida, atenção ainda ao desenvolvimento da colheita no Brasil, com os produtores driblando os períodos de chuva mais intensa, e à falta de precipitações que ainda castiga o Matopiba, com o Nordeste sofrendo com sua pior seca em 100 anos. 

“Somente no final da semana é que as chuvas deverão retornar à região de forma mais generalizada e até mesmo em bons volumes. Porém, em áreas produtoras do Pará, norte do Tocantins e do Maranhão há a possibilidade de que eventuais pancadas de chuvas venham a ocorrer nesse início de semana. E esse padrão meteorológico poderá trazer alguns prejuízos muito pontuais aos índices de produtividade das plantas, uma vez que há lavouras que estão a mais de 17 dias sem receber uma só gota de chuva”, informa o Boletim Semanal da Climatempo.

No Brasil, os preços voltaram a recuar. Os ganhos em Chicago foram amenizados por uma nova baixa do dólar. A moeda americana, mais uma vez esse ano, ficou abaixo dos R$ 3,20 e pesou sobre as cotações, além de manter o ritmo de negócios no mercado nacional ainda parado, tanto nas exportações, quanto no mercado doméstico, como explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

No encerramento do pregão, a moeda ficou com R$ 3,1967, perdendo 0,78%. “Tem havido fluxo para Brasil, boa parte para renda fixa”, comentou o operador da corretora Mirae Asset, Olavo Souza à agência de notícias Reuters. “E está havendo abertura do mercado para captação, o que favorece essa trajetória.”

Assim, no interior do Brasil, as cotações cederam de 0,73% a 2,99% em algumas praças de comercialização, embora boa parte delas tenha mantido sua estabilidade nesta segunda-feira. As referências ainda oscilam entre R$ 56,00 e e R$ 72,00 por saca. 

Já nos portos, Paranaguá conseguiu encerrar o dia co alta de 1,37% para R$ 74,00 por saca, tanto no futuro quanto no disponível, enquanto em Rio Grande, os preços recuaram. No terminal gáucho, baixa de 0,93% no disponível, para R$ 74,30, e de 0,26% para R$ 76,80 no mercado futuro, com referência para junho deste ano. 

Ainda segundo informações da Agrinvest, o lineup do Brasil vem crescendo de forma acentuada. “Na semana passada, o lineup cresceu de 540 mil para 1,34 milhão de toneladas, contra 1,76 milhão de um ano antes. Do total deste ano, a China responde por 682 mil toneladas, frente as 126 mil do mesmo período do ano anterior”, relata a consultoria. 

Por: Carla Mendes
 
Fonte: Notícias Agrícolas

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